Month: November 2009

19 dagar

19 dagar

Om 19 dagar ska jag gifta mig. Jag har inga kläder, inga gäster ej eller fotografer, och jag har varken ringar eller blommor. Men det som irriterar mig mest är att jag inte har min bröllopstårta. Därför, och i stället for att leta efter en snygg klädsel, är jag mer intresserad på att hitta den perfekta tårtan.

Än så länge har jag bläddrat igenom tusentals Google bilder och kommit fram till att jag bestämt mig för att min bröllopstårta, den ska jag baka själv.

gulosaudosismo

 

chá de Natal sueco

   Li  num fórum de mulheres portuguesas,  um post em que uma das utilizadoras, de partida para um fim-de-semana no Luxemburgo, pedia sugestões de restaurantes portugueses nesse país. (Quem conhece o Luxemburgo sabe bem que difícil é tentar encontrar alguém que não fale português, ou um local onde não se vendam carcaças e frangos assados.)

E isto porque, se há coisa sem a qual qualquer emigrante, português ou não, não pode viver é a sua comida. Perderá a língua, esquecerá eventualmente os hábitos e costumes, mas a pratada de chispe, mesmo  quando à mesa já só se sentarem os Jean Claudes e as Jessicas, lá estará para lembrar a dependência, quase genética, que temos em relação à comida dos nossos antepassados.

 Eu não sou imune a este gulosaudosismo, e mato por vezes saudades no paraíso virtual dos emigrantes portugueses, a loja do Continente online.

A propósito de um xarope de cenoura, receita da minha avó, que fiz para o viking, e que me fez lembrar o sabor do “chá” de limão com mel que costumava beber quando estava com dores de garganta, visitei as prateleiras online da secção “chás e infusões”.

Eu tinha a ideia de que uma chávena com água quente e umas ervas de molho, podia aliviar a tosse, ou um estômago fustigado pela supra citada chispalhada, mas estava errada. Dentro destes pacotinhos de “chá infusão” há cura e ajuda para quase todos os problemas, causados ou não pela gula.

Há “chás infusões” para a celulite, para a boa forma, com efeito spa, adelgaçante, há chá para a aliviar os problemas de pedra nos rins,  infusões ”barriga lisa”, ”ventre plano”, ” emagreplan”  e “emagriplan –  cintura” e “emigriplan –  homem”. Chás que promovem  um “colesterol saudável” e a “redução dos diabetes”. São cinco páginas de produtos, com preços desde 16 a 1500 €/kg.

Grande negócio este em que se transformou o “chazinho” de limão ou de camomila. Negócio e  desplante, porque é preciso ter lata para vender um chá “estimulante sexual”,  ou, espantem-se, “chá seios firmes”.  Mas será que há alguém no seu juízo perfeito que compre um chá com a ideia de que ficará com as mamocas mais rijas??  Será feito de silicone?

A mim chega-me o prazer de uma caneca de chá, âmbar de cor, com um cheirinho a Natal, açúcar e leite, o que não vai certamente ajudar a minha inexistente batalha contra a celulite.

Sourdough – segunda e última parte

  

Para quem acha que isto do sourdough é muito giro, tudo natural e freak, boa sorte,  aqui em casa nunca mais! Como a receita que segui propunha,  comecei por misturar  uma chávena de farinha com uma chávena de água, coloquei tudo numa caixa bem fechada, e guardei num lugar seco e sem correntes de andar. (Eu deixei dentro do meu forno desligado.) Ao segundo dia o preparado tinha, como havia escrito, um líquido suspeito. Segui as instruções, deitei metade desta massa fora e acrescentei mais meia chávena de farinha e meia chávena de água. (Para mim que sou poupadinha, este deitar fora de ingredientes, ainda que seja só farinha, faz-me um bocado de confusão…) 

Foi portanto com muita expectativa que, no tercceiro dia, tirei do forno a minha caixinha com o starter, o milagre que daria origem a muito pão, de tal forma que, segundo li, teria suficiente produto para dividir com os meus amigos. Parece-me que isto do sourdough é uma espécie de flor de  iogurte (Kefir). (Deus nos livre de outra vaga de frigoríficos cheios de caixas de meio quilo de margarina Flora com coisas a crescer dentro.) 

 Já tinha, felizmente, na mão a máquina fotográfica. Abri a caixa, e realmente mosquitos não havia. Não havia porque tinham todos fugido, os meus gatos também, foram-se esconder debaixo da cama. Eu, como tinha prometido fotografias, aguentei-me! A massa estava a borbulhar, o que penso seria bom sinal, mas o cheiro! O cheiro! Estive a pensar desde ontem ao que cheirava o meu starter, uma mistura de queijo que esteve no frigorífico dentro de uma caixa de plástico durante semanas e vários autocarros cheios de trabalhadores de Lisnave de volta a casa depois do trabalho. (Compreendam a falta de graça desta comparação, falta-me o engenho de Suskin.)

 Ainda consegui tirar uma fotografia, sem querer fiz também um filme, com o pânico e a tentar tapar o nariz, acabei por carregar nos botões errado. A caixa foi posta em água a ferver mas está em estado bastante grave,  não  se sabendo se sobreviverá. Eu preciso de algum tipo de terapia para superar este trauma. A ideia do cheiro arrepia-me de tal forma que ainda nem consegui fazer o upload da fotografia. Talvez amanhã…   

pão bread bröd

Perdida numa das aldeolas da Serra Algarvia, vi há talvez vinte anos, uma senhora fazer pão sem fermento.

Segundo ela,  guardava-se um pouco da massa para fazer crescer a próxima fornada. A minha mãe,  professora primária e etnógrafa amadora aos fins-de-semana, documentou o acontecimento  através de um rolo de fotografias e apontamentos num caderninho de folhas A5 com linhas azuis e vermelhas.  Depois de uma tarde a correr entre o forno de pedra e a mesa onde a senhora amassou mais de 20 pães de quilo, achei que era melhor voltar ao pão que comprávamos no Continente. (Já haveria Continente nessa altura?)  É que a ideia de fazer pão em casa, no forno eléctrico durante uma tarde inteira não me tinha inspirado tanto quanto à minha mãe, que em mais uma loucura etnográfica, decidiu comprar uma casa na dita Serra com um forno de pão “a sério para se fazer pão como antigamente.”

Fazer crescer qualquer massa era há anos um trabalho hercúleo. Quando chegava o Natal, lá apareciam os alguidares junto dos radiadores a óleo,  era uma  constante de medo e expectativa,  “não levantem o cobertor, não corram aí que ainda caem na massa do Bolo Rei” 

Agora que temos fermento de padeiro em pacotes prontos a usar e até um pó, tudo se tornou mais fácil,  com a chegada do “pão sem amassar”,  podemos fazer pão delicioso em casa sem trabalho nenhum. (Quão longe vai o tempo em que tínhamos de encomendar à padeira o  fermento!)

Mas isto de não ter trabalho e excelentes resultados não estava escrito que ia durar…. 

Porque agora,  o que está mesmo na moda é fazer pão sem fermento. Eu, não me deixo ficar para trás.  Qual No-Knead Bread – New York Times,  o que se quer agora são frascos de uma pasta borbulhante de aspecto mais que suspeito que se transformará em pão.  A minha está numa caixa desde ontem, é o meu starter. Hoje já tinha um cheiro para o estranho, dizem que é normal. Aliás, no que diz respeito a esta sourdough, tudo parece normal. Cheira mal? Tem um líquido escuro e assustador? Não se preocupe, é normal. Eu não me preocupo até ver o primeiro mosquito a nadar na massa. Amanhã, se tiver coragem para abrir a caixa e alimentar o meu starter, deixo aqui umas imagens.