Month: October 2011

Pan de Muertos

Há um pão para todas as ocasiões. Do México chega esta receita de Pan de Muertos, um pão feito especialmente para o Dia de Todos os Santos. Depois de preparado, aromatizado com água de flor de laranjeira e sementes de funcho, e decorado com pedaços de massa em forma de ossos, este pão é levado para os cemitérios e oferecido aos entes queridos já partidos.   Não deixem que o aspecto do pão vos impeça de tentar esta receita tão diferente e cheia de sabores deliciosos. Se não celebram o Halloween ou acham o significado do pão demasiado móbido,  o que não é o nosso caso, dêem-lhe apenas um feitio arredondado e decorem se o desejarem com outros temas.

Notas: Se não encontrarem água de flor de laranjeira, usem  apenas a raspa de laranja. As sementes de funcho/erva doce, fazem o pão saber a anis,  usem-nas com mão leve! A estrutura e sabor deste pão é semelhante ao brioche.

A receita foi adaptada do livro Bread: Baking by hand or bread machine  

 Ingredientes: (1 pão)

  • 1 colher de chá de fermento seco de padeiro/ 10 gramas de fermento de padeiro fresco
  • 2 colheres de sopa de água
  • 320 gramas de farinha
  •  1 colher de chá de sal
  • 3 ovos batidos
  • 70 gramas de manteiga derretida
  • 2/3 de chávena de açúcar
  • 1 colher de chá de sementes de anis/erva-doce em pó ou desfeitas no almofariz
  • 1 colher de sopa de água de flor de laranjeira
  • Raspa  da casca de uma laranja
  • Açúcar para decorar

 Preparação:

Dissolvam o fermento na água.

Numa tigela grande misturem a farinha com o sal. Façam um pequeno poço no centro e acrescentem o fermento dissolvido. Com uma mulher de pau misturem farinha suficiente para que se forme no centro da tigela uma pasta. Cubram com um pano e deixem descansar 20 minutos.

Passado este tempo acrescentem os restantes ingredientes (reservem um pouquinho dos ovos) Misturem, incorporando a farinha, até obterem uma massa bastante  húmida e pegajosa.

Amassem a massa na vossa bancada, ligeiramente polvilhada de farinha, durante 10 minutos.

Deixem a massa levedar durante 2 horas ou até a massa duplicar de volume.

Retirem um pedaço da massa para as decorações. Formem uma bola com a restante massa e coloquem-na no tabuleiro de ir ao forno. Com os pedacinhos de massa  façam uma bola pequenina para  topo do vosso pão (representa um lágrima), e 8  tirinhas de massa mais pequenas que cruzadas aos pares, representam os ossos. “Colem” os “ossos” à bola usando o restinho dos ovos que reservaram diluído num pouco de água. Se os “ossos” caírem, prendam-nos com palitos.

Deixem o pão fermentar mais 30 minutos.

Pincelem com ovo, polvilhem levemente com sal e levem ao forno a uma temperatura de 180ºC durante aproximadamente 35 minutos. O pão deve estar douradinho e ter um som “oco” o que indica que está cozido.

Figos ao quadrado

Quando éramos pequenos era hábito dos meus pais levarem-nos em “expedições” para praias mais ou menos desertas onde passávamos o dia a brincar e tentar ajudar o meu pai, pescador amador de “alto gabarito internacional”, com os seus sacos e malas de equipamento, canas, iscos e anzóis. Por vezes, penso que por causa da  mudança da maré, a expedição era nocturna, e enquanto o meu pai pescava o resto da família aninhava-se nos sacos de dormir a ouvir, num rádio daqueles ainda com um capa de pele, o “Quando o telefone toca”.

Certa tarde, na minha memória estávamos em Melides, na altura  ainda poucas pessoas passavam férias na costa alentejana, quando pela areia vimos lentamente a aproximar-se uma senhora com um burrico. Sem nos dizer nada a minha mãe levantou-se e foi falar com a senhora, voltado uns minutos mais tarde trazendo nas mãos um embrulho. “Olhem o que eu tenho  aqui”, e das folhas de figueira, saíram uns enormes e carnudos figos, a pingar um fiozinho de mel, e que, talvez por estarmos na praia, cobertos de areia e sal, me pareceram os mais doces e deliciosos figos que alguma vez tinha comido.

Todos os anos aguardo a chegada deste fruto cheia de esperança e expectativa, escolho-os e compro-os com o maior dos cuidados, penso na senhora e no burrinho, no meu pai à  beira-mar, mas à excepção de um vez em Londres, nunca voltei a  provar figos tão deliciosos.

Imagino que o defeito não seja apenas dos figos, falta-me o resto da história e do cenário,  e na comparação com um quase perfeito momento da minha infância, qualquer fruto crescido numa estufa e comprado na cidade, fica a perder.

Para tentar dar mais vida aos figos que aqui compro, deixo hoje duas sugestões, simples e deliciosas, para uma entrada ou sobremesa.

1 –  Salada de Figos

Uma combinação doce e salgada, macia e crocante, que apreciamos muito.

Figos frescos, queijo Danish Blue, pecan nuts, presunto e um fio de xarope de ácer.

2- Figos com moscatel, alfazema e fromage blanc.

Ingredientes:

  • 2 colheres de sopa de açúcar
  • 1 dl de Moscatel
  • 4 figos divididos em 2
  • Amêndoas em lascas
  • Alfazema para decorar
  • 2 dl de iogurte grego
  • 2 dl de natas em chantilly
  • 3 colheres de sopa de açúcar de alfazema

Preparação:

Numa frigideira aqueçam o açúcar até quase ao ponto de caramelo. Com cuidado adicionem o moscatel e os figos, deixem ferver e reduzir por alguns minutos.

Para o fromage blac, misturem levemente o chantilly com o iogurte e o açúcar.

Sirvam os figos mornos regados com o seu molho, acompanhados pelo fromage blanc e decorados com lascas de amêndoas e florinhas de alfazema.

Daring bakers – Outubro 2011 – Povitica para o lanche

 

Daring Bakers –  Outubro 2011 – Povilica com peras e chocolate

O Desafio do Daring Bakers este mês foi proposto  pela Jenni  do blog The Gingered Whisk.   que nos convidou a experimentar uma receita de Povitica. Povitica é um pão doce típico na Europa de Leste e servido tradicionalmente na época de Natal. A massa é esticada até estar muito fina, e depois de recheada, enrolada e cozida em formas de bolo inglês. Para esta receita podíamos optar pelo tradicional recheio de nozes, ou escolher  um sabor ao nosso gosto. Eu usei uma mistura de peras e chocolate e  resultou muitíssimo bem. Podem ver a receita original e as Povilicas dos outros Daring Bakers aqui.

Ingredientes: (suficiente para um pão de tamanho médio)

Para activar o fermento:

  • 1/2 colher de chá de açúcar
  • 1/4colher de chá de farinha de trigo
  • 30 ml de água morna
  • ½ colher de sopa fermento de padeiro seco

Masssa:

  • 120 ml de leite
    40 gramas de açúcar
    1 colheres de chá de sal
    1 ovos
    30 gramas de manteiga
    280 gramas de farinha de trigo

Cobertura:

  • 30 ml de café forte
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de manteiga

Recheio: (receita minha)

  • 2 peras de tamanho médio
  • 2 colheres de sopa de cacau em pó
  • Raspa da casca de uma laranja
  • 1 colher de café de canela em pó
  • 50 gramas de manteiga.
  • 2 colheres de sopa de açúcar

Preparação:

Recheio:

Descasquem e limpem as peras. Cortem-nas em pedacinhos e levem-nas a lume brando, juntamente com os restantes ingredientes até tudo ter a consistência de uma compota.

Pão:

Para activar o fermento:

Misturem todos os ingredientes numa tigelinha e deixem descansar durante 5 minutos.

Para a massa:

Escaldem o leite. Deixem-no arrefecer um pouco e juntem-lhe o açúcar e o sal, misturando até dissolver, juntem o ovo, a mistura de fermento, a manteiga derretida e misturem bem todos os ingredientes.  À mão, ou usando a batedeira com a pá gancho, vão introduzindo nesta mistura a farinha aos poucos.  O objectivo é uma massa que se despega da tigela ou das vossas mãos. A massa tem de estar elástica e macia.

Coloquem a massa num recipiente ligeiramente untado com óleo, cubram com um pano e deixem levedar durante uma hora, ou até duplicar de volume.

Esticar a massa e formar o pão:

Para esticar a massa vamos precisar de uma superfície bastante grande, podem usar a vossa bancada, ou a mesa de cozinha coberta com um lençol.

Comecem por polvilhar a superfície com farinha. Com um rolo da massa estendam a massa tão finamente quanto conseguirem.

O comprimento  da massa tem de ser 3 a 4 vezes o comprimento da vossa forma.

Espalhem o recheio frio sobre a massa e, levantando o lençol ou usando muito cuidadosamente as mãos, enrolem a massa de forma a criar uma espécie de “chouriço”( como aqueles que antigamente se punham nas janelas para não deixar entrar o frio.).

De novo com muito cuidado, passem a massa para uma forma untada de manteiga. Comecem por criar um “V”, voltado depois  a dobrar a massa em feitio de “W”. Como estava sozinha em casa, não consegui tirar fotografias deste processo, mas vejam aqui o  passo-a-passo da Jenni.

Pincelem o pão com o café e o açúcar da cobertura, deixem descansar mais 15   minutos.

Levem o pão ao forno durante 15 minutos a uma temperatura de 180ºC. Baixem a temperatura para  150ºC e cozam o pão por mais meia hora.

Retirem a Povilica do forno e pincelem-na com manteiga.

Não desenformem o pão antes deste estar completamente frio.

Podem congelá-lo já cortado em fatias, é excelente para o lanche.

É muito cedo para falar em Natal? – Bolo de Lingon e especiarias

Quando vivia em Portugal, o cheiro a castanhas assadas costumava anunciar a chegada do Inverno e a aproximação do Natal, de todas a minha época favorita do ano. Aqui, e sem vos saber explicar como, há um dia em que vou a andar pela cidade, e que literalmente me cheira  a  Natal, não sei se é a luz ou o ar frio, é uma sensação e também uma certeza, já falta pouco.

 Este ano o dia chegou mais cedo. Ainda não estamos em  Novembro e já eu ando a sonhar com o Natal.  Apetece-me chá de Natal e estender a massa das pepparkakor, apetece-me comprar cortadores de bolachas novos, mal posso esperar pela casa a cheirar a gengibre e açafrão, pelos tabuleiros cheios de knäck, e por mais um Natal luso-sueco.

Enquanto espero, fiz um bolo para  o chá que, rico em especiarias e aromas,  quase quase abre  a porta a este maravilhoso período, só mais dois meses.

Adaptei a receita do muito sueco Sju Sorters Kakor. Aqui na Padaria há uma receita de geleia de lingon, imagino que estas bagas sejam difíceis de encontrar em Portugal. Podem usar a geleia de lingon que se vende no Ikea para acompanhar as almôndegas suecas, mas parece-me que é mais ácida do que a que faço, por isso talvez precisem de um pouco mais de açúcar do que indico na receita.

Ingredientes: (para uma forma de 1 ½ litro)

  • 100 gramas de manteiga
  • 3 ovos
  • 180 gramas de açúcar amarelo
  • 2 colheres de chá de canela
  • 1 colher de chá de cardamomo moído
  • 1 colher de chá de gengibre em pó
  • 200 gramas de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 dl de iogurte natural
  • 1 dl de geleia de lingon

Preparação:

Aqueçam o forno a 175ºC.

Barrem a forma com manteiga e polvilhem-na com farinha, açúcar, ou como é hábito aqui, pão ralado.

Batam os ovos com o açúcar, acrescentem as especiarias, farinha misturada com o fermento em pó, alternando com a manteiga derretido misturada com o iogurte, misturem tudo sem bater. Por último envolvam a geleia de lingon.

Deitem a mistura na forma e levem a cozer ao forno durante aproximadamente uma hora. (Testem com um palito passados 45 minutos, o formato e tamanho da forma vai influenciar o tempo de cozedura.)

Sirvam com um pouco mais de geleia e uma chávena de chá quentinho.