Month: March 2012

O mais minimalista de todos os pães

Esta já é a terceira versão do  pão sem amassar, tornado famoso pelo nosso minimalista favorito há uns anos, e que deve ser  a forma mais simples de fazer em nossas casa um pão delicioso e saudável, que publico na Padaria.O “truque” desta receita é usar pouco fermento e dar ao pão tempo para que fermente e desenvolva sabor, sem amassar, dobras, iscos, batedeiras ou sujar a cozinha.

A quantidade reduzida de fermento é muito importante se queremos um sabor semelhante ao nosso pão tradicional e não um pão que saiba ao fabricado industrialmente de forma rápida e a saber a falso. Para criar a maravilhosa e estaladiça crosta, o ideal é cozer o pão dentro de uma panela de ferro  ou de um pyrex pré-aquecidos. Já cozi o pão simplesmente numa forma de bolo  inglês, e embora não tenha ficado com um aspecto tão rústico e estaladiço, é igualmente bom.

Aqui podem ver o meu passo-a-passo da receita original.

Aqui está a versão cozida na forma de bolo inglês  

Alguns pontos importantes:

- Podem usar qualquer tipo de farinha,  mas o teor de proteínas/glúten das farinhas que escolherem  vai influenciar também a estrutura do miolo e o tipo de pão.

- O nível de hidratação da massa, ou quantidade de água que usamos,  altera também  pão, tempo de cozedura e tipo de miolo.

- O tempo de cozedura depende   muito dos nossos fornos e até do tipo de farinha que estamos a usar, por isso é possível que em relação às minhas indicações o vosso pão precise de mais ou menos tempo no forno.

- É muito importante que deixem o pão arrefecer e secar bem antes de o cortarem. Ao sair do forno o interior do pão tem ainda vapor, que tem de evaporar.  Se cortarem logo o pão não só amachucam o miolo como o pão vos vai parecer “molhado”.

Espero que com esta receita convença os mais temerosos a tentar fazer pãozinho caseiro,  e para não me dizerem que só vos dou pão com manteiga, hoje preparei-vos uma fatiazinha com Brie, doce de figos e canela, e nozes.

Ingredientes:

  • 450 gramas de farinha de trigo para pão (65)
  • 150 gramas de farinha de graham (se não encontrarem podem usar farinha  de trigo integral.)
  • 2 colheres de chá  de sal
  • 12 gramas de fermento de padeiro fresco / 1 colherzinha de chá de fermento de padeiro seco.
  • 5 dl de água
  • Farinha pra polvilhar

Preparação:

Na véspera à noite.

Diluam o fermento na água tépida. Numa tigela grande, misturem com uma colher de pau as farinhas, o sal e a água com o fermento. Não é preciso bater nem cansarem-se. Coloquem a tigela num saco plástico grande e esqueçam-se dela durante a noite.

No outro dia aqueçam o forno à temperatura mais alta com o pyrex ou a panela. (Se vão usar a forma de bolo inglês não é necessário aquecê-la.)

Salpiquem a massa com farinha e usando uma espátula, tentem afasta-la das paredes da tigela cobrindo-a muito levemente de farinha.

Com muito cuidado, retirem o recipiente do forno, deitem a massa, tampem-no e levem a cozer a 225ºC durante 30 minutos. Destapem e cozam durante mais 30 minutos.

Com a forma de bolo inglês o pão coze muito mais rapidamente. (habitualmente 35 minutos no total.   – temperatura de 200ºC a 225ºC dependendo dos vossos fornos.)

Assim que pão estiver pronto, façam o teste das pancadinhas, já sabem, deixem-no arrefecer bem fora da panela ou forma.

Convidei para lanchar – Vickie o pequeno viking

Assim que li o tema deste mês do Convidei para jantar que está a decorrer em casa da Su, soube de imediato quem seria o meu primeiro convidado: Vickie  –  o pequeno viking, a personagem principal dos primeiros desenhos animados que me lembro de ver, nos anos 70 e ainda com televisão a preto e branco. Há quase um ano escrevi aqui um post no qual partilho convosco o meu bolo favorito, o meu bolo Vickie que na verdade nunca cheguei a provar.

A contrário de mim, o Vickie não envelheceu. Mantem a mesma voz, o mesmo sorriso aberto e  o entusiasmo de alegria de uma eterna criança.

Os luxos da vida moderna não o espantam nem assustam. Conta-me que  costuma viajar, recebe muitos convites como o meu, há sempre um menino já crescido que o quer rever, voltar por algumas horas a brincar com ele, apresentá-lo  aos seus filhos.

Enquanto preparamos o seu lanche favorito, kanelbullar  com recheio extra de chocolate, vai partilhando comigo as suas aventuras. Sabe usar um computador, já viu televisão e gosta de andar  de avião, mas onde se sente realmente feliz é na sua aldeia viking perto dos seus amigos, do pai e da mãe que o entende melhor que ninguém.

Comemos sem pressas, os kanelbullar acabados de sair do forno e um grande copo de leite fresquinho. Fala-me de Sven que continua a ser um malandro mas que o Vickie consegue sempre vencer, e de Ylvie,  sua vizinha e melhor amiga.

Sem que nos apercebamos o tempo passa, a mãe  do Vickie regressa, agradece-me ter convidado o filho de quem se sente tão orgulhosa, está na altura de regressar a casa. Já nas escadas, enquanto arranja o seu capacete o Vickie  ainda se lembra:

- Quando nos vieres visitar mostro-te a minha catapulta!!.

 

Fecho a porta quase triste, imensamente nostálgica, vejo-me aos pulos pelos sofás a cantar “Hey hey Vickie!!”, penso no meu bolinho do Vickie,  quão depressa passaram tantos anos.

Estou a arrumar a cozinha quando o meu viking chega a casa.

- Fizeste Kanelbullar com chocolate? E ainda estão morninhos mesmo como gosto e comia quando vinha da escola, são os meus favoritos. –  diz-me enquanto se serve de um enorme copo de leite.

Observo-o enquanto come os bolinhos. Será?

-Quando eras miúdo, alguma vez fizeste uma catapulta?

O bolo que não comemos. Eu, a mãe e a minha mana.

A receita.

Kanelbullar, ou pãezinhos de canela, são tal como as bolachas de gengibre, talvez um dos mais populares doces suecos. Os que se vendem já prontos ou congelados, são muito maiores do que os meus e têm menos recheio. Ficam mais direitinhos e bonitos, mas acho-os muito secos. Nós preferimos comer um bolinho mais pequeno e com muito recheio, a um grande kanelbulle com muita massa e pouco sabor.

Em relação à receita original, fiz as seguintes alterações.

-Usei apenas ¼ da receita. A receita inteira faz dois tabuleiros de kanelbullar grandes, é o ideal para uma festa de crianças ou congelar.

- Uso o dobro do recheio do que o indicado para ¼ da receita e acrescento um colher cheia de cacau em pó.

-Tradicionalmente os Kanelbullar são polvilhados com pärlsocker, não sei se se vende em Portugal  nem como se chama na nossa língua.

A receita foi adaptada por mim das receitas de Kardemummabullar e kanelsnurror publicadas no Sju Sorters kakor e faz, se a seguirem à risca, kanelbullar como os que se vendem no Ikea. Se preferirem a minha versão, basta seguir as alterações que vos indiquei.

Ingredientes: 45 kanelbular (dependendo do tamanho)

  • 150 gramas de manteiga
  • 5 dl de leite
  • 50 gramas de fermento de padeiro fresco ou uma saqueta de fermento de padeiro seco
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 140 grama de açúcar
  •  1 1/2 colheres de chá de sementes de cardamomo ou 2 colheres e chá de cardamomo em pó
  • 720 gramas de farinha de trigo

Recheio:

  • 100 gramas de manteiga
  •  90  gramas de açúcar
  • 2 colheres de chá de canela

Preparação:

Derretam a manteiga, adicionem o leite, quando estiver morno juntem o fermento e misturem bem para dissolver.

Numa tigela grande ou na tigela da batedeira, coloquem este líquido juntamente com o açúcar, o sal e o cardamomo. Misturem bem e vão adicionando  a farinha, até a massa de descolar das vossas mãos ou das paredes da tigela. Deixem levedar até duplicar de volume.

Para o recheio basta misturar os ingredientes. Podem também usar  um pouco de cravinho em pó, gengibre ou o cacau.

Aqueçam o forno  a  250ºC, 225ºC se tiverem um forno com circulação forçada de ar quente.

Se estão a fazer a receita toda, dividam a massa ao meio. Estendam cada parte com um rolo da massa até ter um quadrado. Cubram a massa com o recheio e enrolem-na com se fosse uma torta. Cortem em fatias, eu faço as minhas com a largura de 1,5 cm.

Coloquem os kanelbullar num tabuleiro  forrado com papel vegetal, ou em caixinhas de papel  e deixem levedar de novo até duplicarem de volume. Se desejarem antes de os cozer, podem salpicá-los com açúcar e pincelá-los com ovo batido.

Cozem durante 8 a 10 minutos.

25 de Março na Suécia é o dia das waffles

Dia da Anunciação a Nossa Senhora? Não! Na Suécia  dia 25 de Março é mais uma data no tradicional calendário gastronómico, o dia em que comemos waffles. Aqui na Padaria é a segunda vez que festejamos também o våffeldagen, e para não estar sempre a repetir todos os anos a mesma história, se ainda não eram clientes deste espaço há um ano, leiam por favor este post no qual explico mais sobre a origem desta tradição.

Ontem, e para além das tradicionais waffles doces, que  comemos com gelado, preparei também waffles estaladiças e aromatizadas com endro. Estas waffles são excelentes servidas com entrada  numa festa, cobertas com um pouco de salmão fumado ou caviar e sourcream. Para nós foram uma refeição leve, comida na varanda com Sol e um delicioso vinho branco do Chile. O dia em que pela primeira vez comemos na varanda, que durante o Inverno serve de frigorífico extra, é sempre especial aqui em casa, marca a certeza de meses de Sol e bom tempo, a chegada definitiva da Primavera. E para vocês? Há algum dia, acontecimento ou prato que anuncie esta estação?

Para preparar estas waffles podem usar  endro ou outras ervas aromáticas, substituir o leite por natas, para waffles mais ricas, ou até optar por farinha de trigo integral.

Ingredientes: (4 ou 5 waffles, dependendo do tamanho da vossa máquina)

  • 100 gramas de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 dl de água
  • 1 dl de leite
  • 1  colher de sopa de manteiga
  • 1 pitada de sal
  • 2 colheres de sopa de ervas aromáticas picadas

Para untar a máquina de waffles podem precisar de um pouco mais de manteiga

Preparação:

Comecem por aquecer a máquina de waffles. Entretanto derretam a manteiga e misturem-na, batendo bem, com todos os restantes ingredientes.  Preparem as waffles segundo as indicações da vossa máquina. Sirvam-nas quentes ou frias com salmão fumado e sourcream.

Mazarintårta

Já de saída para o fim-de-semana, aqui fica a sugestão de mais um doce muito popular na Suécia. A mazarintårta  é a versão crescida das mazariner, uns bolinhos de amêndoa e ovos indispensáveis na fika, ou pausa para café, tão apreciada pelos suecos.

As “verdadeiras” mazariner são depois de recheadas e cozidas, cobertas com um “glasyr” de icing sugar, água e   por vezes corante verde, o que honestamente  não acrescenta nada em termos de sabor ou textura a estes bolos. Vocês conhecem-me, sabem que não sou mulher para poupanças na gordura das natas, nem na manteiguinha, mas cobrir um bolo que por si já é tão rico com uma placa de açúcar, até a mim arrepia!

Se não gostam de fazer bases de tartes em casa, podem comprar uma base de massa quebrada já preparada.

Eu uso o recheio feito com massa de amêndoa, mas caso não encontrem este produto (uma espécie de massapão que se vende nas grandes superfícies em Portugal), deixo aqui também uma alternativa, que retirei do livro Sju Sorters Kakor.

Esta receita é suficiente para 18 mazariner, ou uma tarte feita numa forma com 24 cm de diâmetro.

Ingredientes:

Recheio com massa de amêndoa:

  • 50 gramas de manteiga amolecida
  • 200 gramas de massa de amêndoa
  •  3 ovos
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo

Alternativa:

  • 150 gramas de amêndoas picadas
  • 75 gramas de manteiga amolecida
  • 3 ovos
  • 150 gramas de açúcar

Preparação:

Forrem a forma com a base da tarte e coloquem-na no frigorífico. Aqueçam o forno a 175ºC.

Preparem o recheio batendo bem todos os ingredientes.

Encham a base da tarte com o recheio e levem a cozer durante aproximadamente 25 minutos.