Desde a última vez que nos vimos….

Antes de mais o meu mais sincero obrigada a todos! Que bom saber que ainda se lembram de mim! Começo hoje a partilhar convosco o meu último ano. Como tenho tenho tanto para vos contar, e com receio de vos maçar, divido esta actualização em dois posts. Ainda tenho muitos dos vossos comentários por ler, o que farei assim que puder.
É sexta-feira 8am, até domingo estou de folga. (o meu headchef já me enviou 3 sms e já falámos ao telefone duas vezes…isto promete… folgas nesta profissão também näo existem.) Muito raramente tenho dias livres e até agora tinha passado todos os momentos que podia a estudar.

Hoje estou a planear um jantar romântico com o meu viking, talvez uma ida ao cinema, ah..alegria o telefone acabou de tocar…amanhã trabalho das 6.30 am às 2 pm. (Uma das meninas que trabalha no turno do pequeno-almoco caiu na cozinha e está no hospital (nada grave).em caso de emergêcia: Call Ana. Adeus, noite romântica, adeus garrafa de champanhe…adiante.
Da última vez que conversámos como se lembrarão estava eu a fazer um estágio no Restaurante Salt och Brygga. (Antes disso já tinha trabalhado num restaurante de um pasteleiro francês e feito um estágio no Hotel Scandic St jörgen e no restaurante Glasklart.)
Com o estágio no S&B a decorrer, li num jornal uma reportagem sobre um cozinheiro inglês a trabalhar num pequeno infantário onde cultiva uma mini horta. Simon é um defensor ferrenho de uma alimentação mais saudável para as crianças: menos açúcar, nada de pré-fabricados, alimentos produzidos localmente e biológicos…

simon Gilles

Eu senti-me inspirada e cheia de curiosidade em saber como pode uma escola com um apertadissímo budget manter os mesmos standards de um restaurante como o S&B.
Contactei o Simon e consegui um pequeno estágio na sua escola. (Por coincidência o Simon e o Björn, dono do S&B säo antigos conhecidos e abriram há muitos anos o primeiro restaurante vegetariano em Malmö.
A escola do Simon é um local quase mágico, sobre o qual hei-de escrever um post. Depois de o conhecer e me apaixonar pela sua pequena hortinha, por ele e pelos meninos que o ajudavam a regar os legumes e apanhar ervas aromátcas, comecei a considerar uma carreira numa cozinha de uma escola assim em vez de um restaurante. Quando apareceram vagas de empregos para cozinhas escolares candidatei-me…
Durante o estágio com o Simon foi-me oferecido um emprego na escola dele durante umas semanas, e a menina que trabalha com ele perguntou-me se eu estaria interessada em trabalhar aos fins-de-semana num lar de terceira idade.

 

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Eu admito que nunca tal me tinha passado pela cabeça, e mais por educação do que outra coisa respondi que sim. (Pensei eu na altura que a coisa nao ia dar em nada….)
Mas deu, no Sábado seguinte lá fui um pouco contariada, fazer um teste de trabalho no lar. E fiquei encantada, era uma enorme casa particular perto do mar, com jardins, uma cozinha linda… Aceitei o emprego trabalhei neste lar todos os fins-de-semana e Junho e Julho. De todos os empregos que tive este foi o que mais me tocou. Estava sozinha na cozinha 8 horas, e nunca tomei um atalho para ter menos trabalho. Sozinha fazia o pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar, lavava os pratos e limpava a cozinha.
A minha compensação era os velhinhos virem à cozinha dizerem-me que adoravam a minha comida e os meus bolos. E as empregadas dizerem-me que todos comiam imenso nos dias em que eu lá estava. (Um post sobre esta experiência que ainda agora me comove daqui a algum tempo.)

No fim de Maio fui também chamada para uma entrevista num restaurante em Lomma (A Cascais aqui do sítio). Era um restaurante que eu conhecia, e sabia que especialmente no Veräo e por estar localizado praticamente na praia, teria muitos clientes e seria um bom local para eu aprender a trabalhar sob muita pressäo. Sabia também que, e por ser um restaurante de cozinha aberta, o chef era um tipo duro que gritava que se fartava com a sua brigada durantes os serviços. Como imaginam o local ideal para mim….

Nesse restaurante trabalhei até ao fim de Agosto. Foi duríssimo, e deurante este período vários chefes com muito mais experiência do que eu acabaram por se demitir. Os gritos, o calor imenso, a tremenda falta de união do pessoal, a forma como as mulheres cozinheiras eram tratadas por algumas pessoas…
Salvaram a situação meu headchef/ dono do Restaurante Andrée e a sua mulher que trabalha na frente da casa. Embora o Andrée seja extremamente exigente, é um chef que adora a sua profissäo e foi um excelente mentor.

O eu Headchef Andrée e a sua mulher Åsa. Acima algumas imagens do restaurante

Ter passado por esta experiência täo dura foi importante para mim. Comparado com Lomma tudo o resto é um passeio no parque.
E com o fim do Veräo chegamos também ao fim da primeira parte dos post em vos contarei como passei o último ano.
Cenas do próximo episódio:
Fine dinning? Escola? Hotel? – Onde continuar?
O início de mais dois semestres a estudar.
Como conheci o meu headchef e fui parar ao restaurante onde trabalho.

Um grande abraco a todos e votos de um fim-de-semana cheio de Sol.

 

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10 comments

  1. Para primeiro capítulo está tão lindo e inspirador. Que espectáculo de experiências e imagino o quão gratificante foi ter trabalhado no lar aos fins de semana. Só pelo que escreves já me arrepiei e emocionei e mal posso esperar pelos próximos capítulos que serão todos interessantíssimos, portanto não te preocupes com qual e sim com a continuação.
    És um exemplo para muita gente e fosse eu mais nova e não tivesse dois pimpolhos dependentes de mim e seguia-te as pegadas, acredita!
    Beijinhos grandes e bom fim de semana,
    Lia.

  2. Fiquei envolvida na história, ouvi o telefone tocar, senti o entusiasmo do jantar romântico e deixei cair os braços com o desmarcar….
    aguardo o próximo capitulo ;) :)
    Beijinhos grande

  3. Adorei ler-te. Já tinha saudades de passar por cá. Vejo que tens levado uma vida a 100 à hora, mas quando perseguimos um sonho temos de o fazer com toda a garra e, por vezes, algum sacrifício.
    E sim, também quero saber no que constarão as cenas dos próximos capítulos. Deixaste-me muito curiosa.
    Gostei muito desta viagem pelas tuas palavras, Conseguiste pôr-me a imaginar lugares e pessoas.
    beijinhos aqui do meio do mar.
    Patrícia

  4. Hehe tb adorei a tua história! Fez-me lembrar aquelas series que adoramos mas que acabam em aberto e agora temos de esperar uma semana pra saber o que vai acontecer a seguir :) Cá estarei para ouvir o resto, beijos

  5. Olá Ana!
    Que bom que voltaste. Temos sentido muito a tua falta :)
    Que bom que estás a ter tantas experiências enriquecedoras. Fico ansiosa à espera do resto da “novela”.
    Bjnhos

  6. Olá Ana,
    Pelos vistos tornaste-te cozinheira mas não perdeste o talento para contar “estórias”. Aqui estou eu, na primeira fila, para assistir aos próximos capítulos. Muito bom mesmo teres voltado :)
    Um abraço,
    Guida

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