Como aqui cheguei….

No último episódio da minha saga deixei-vos em Agosto, ainda a trabalhar em Lomma. Por essa altura recebi a notícia de que poderia continuar a estudar e foi-me oferecido um emprego num infantário em Malmö.
As aulas começaram na segunda quinzena, turno da manhã na escola, até à uma da manhã no restaurante. Em Setembro troquei o ritmo acelarado dos restaurantes pela calmaria de uma cozinha escolar. Trabalhei em dois pequenos infantários com a Carina, uma versão sueca do Simon mas sem a pequena horta. A nossa escola era novinha em folha, fomos nós que abrimos os pacotes e caixas do equipamento, usámos o fogão pela primeira vez, e sonhámos com a nossa hortinha.
A segunda parte do meu curso incluia 35 horas por semana de trabalho prático num resaurante/cozinha industrial e 8 horas de trabalho teórico por semana.
Conversei com os meus professores, e como era trabalhadora estudante foi-me dada a hipótese de usar o meu trabalho como estágio. Mas para vos ser honesta, e embora tivesse gostado muito de trabalhar num infantário, sentia saudades do ritmo e do stress dos restaurantes.
Para aprender o mais possível procurei um restaurante com um headchef com experiência e um tipo de cozinha que me agradasse. Testei primeiro um pequeno restaurante cujo dono/headchef tinha trabalhado no NOMA e Celler de Can Roca, mas não gostei do ambiente do sítio e pedi ao meu professor para trocar de estágio.
Depois de várias sugestões que eu vetei, surgiu a oportunidade de testar a cozinha do Hotel Kramer. Fui a uma entrevista com o headchef mais por curiosidade do que vontade.


Eu estava nesta altura já em desespero de causa. Trabalhava no infantário das 7 às 13.30, metia-me no autocarro para o restaurante onde estagiava até à meia noite pelo menos. Aos fins-de-semana tinha de fazer os trabalhos teóricos.
Cheguei ao Kramer com cara de poucos amigos e decidida a fazer o estágio o mais rapidamente possível para poder acabar o curso.

Conhecer o meu chef foi uma surpresa. Eu esperava que o hotel fosse apenas mais um dos hoteis do grupo Scandic onde todas as cozinhas têm de servir os mesmos menus, mas estava enganada.

Exterior, Bildretusch

Aqui trabalho eu.

O headchef contou-me que tinha trabalhado em restaurantes como o Les Bacchanales em França e o muitíssimo conhecido Geranium em Copenhaga e que embora este fosse um hotel scandic tinha a certeza de que eu ia gostar da cozinha e de trabalhar com ele.

Comecei dois dias mais tarde, no fim de Outubro apenas como estudante. O restaurante do hotel serve almoço com um prato do dia, alternativa peixe e vegetariano, como é costume aqui, e jantar com os clássicos do scandic (dos quais não podemos fugir), e o menu à la carte do meu chef.

Durante o serviço

Durante o serviço

 

Foi amor ao primeiro serviço. Duas semanas depois deixei o meu trabalho no infantário para me poder dedicar apenas ao restaurante.
Em Novembro o headchef ofereceu-me um emprego part-time enquanto estudava, que foi substituido por por um novo contrato assim que acabei o curso.

A preparar sobremesas com o Nickas e o meu chef Tom.

A preparar sobremesas com o Nickas e o meu chef Tom.

Às vezes penso na sorte que tive em chegar aqui. Trabalho num sítio que adoro, com dois chefs que me respeitam e tratam como uma igual embora eu tenha muito menos experiência do que eles, e com um headchef que confia em mim o suficiente para deixar a organização da cozinha e o contacto com os fornecedores nas minhas mãos quando ele näo está no restaurante.
E aqui está meus amigos, a história de uma professora e padeira amadora com um sonho. O sonho de vestir um casaco branquinho, pegar nas minhas facas, subir as escadas e entrar num mundo mägico que é a cozinha de um restaurante, um conto de fadas com direito a palácio e tudo.

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12 comments

  1. (ups por favor apaga o comentário anterior que fiz com o login errado :P)

    Adorei :) Que coragem! Mas com um prémio merecido: trabalhar com boas pessoas num hotel fantástico :) Estou encantada.

    Beijinhos,
    Raquel

  2. Ana, nem imaginas como fico feliz por teres conseguido chegar onde chegaste. E claramente foi fruto de muito trabalho e muita dedicação e sacrifício.
    Não tenho dúvidas que vais ainda mais alto e espero que nós, deste lado, possamos continuar a acompanhar.
    Grande beijinho

  3. Ana, quando se sonha e arregaça as mangas para ir atrás dele, é uma alegria saber que a vida retribui com o sorriso que nos contas.
    Que bom!!
    Um grande beijinho e parabéns pela caminhada :)

  4. É quase mágico, mas ao mesmo tempo bem o mereces, pela tua dedicação e pelo teu trabalho! Fico muito feliz por ti :)
    Que sejas muito feliz aí, que os sonhos comandem sempre a tua vida.
    Um beijinho.

  5. É mesmo um conto de fadas com direito a palácio e tudo, mas não acho que tenhas tido sorte, sim, porque o teu conto de fadas não foi sorte. Foste à luta, dedicaste-te e venceste e estou tão feliz, pois realizas o sonho que muitas de nós não realizamos, umas por falta de coragem, outras por acharem que é tarde demais e as prioridades assim o não permitem.
    Desejo-te as maiores, maiores, felicidades do mundo e deixa-me dizer-te que és um orgulho e um exemplo a seguir!!.
    Beijinhos,
    Lia.

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