Archive for ‘A minha vida na Suécia’

March 26, 2012

25 de Março na Suécia é o dia das waffles

by ana

Dia da Anunciação a Nossa Senhora? Não! Na Suécia  dia 25 de Março é mais uma data no tradicional calendário gastronómico, o dia em que comemos waffles. Aqui na Padaria é a segunda vez que festejamos também o våffeldagen, e para não estar sempre a repetir todos os anos a mesma história, se ainda não eram clientes deste espaço há um ano, leiam por favor este post no qual explico mais sobre a origem desta tradição.

Ontem, e para além das tradicionais waffles doces, que  comemos com gelado, preparei também waffles estaladiças e aromatizadas com endro. Estas waffles são excelentes servidas com entrada  numa festa, cobertas com um pouco de salmão fumado ou caviar e sourcream. Para nós foram uma refeição leve, comida na varanda com Sol e um delicioso vinho branco do Chile. O dia em que pela primeira vez comemos na varanda, que durante o Inverno serve de frigorífico extra, é sempre especial aqui em casa, marca a certeza de meses de Sol e bom tempo, a chegada definitiva da Primavera. E para vocês? Há algum dia, acontecimento ou prato que anuncie esta estação?

Para preparar estas waffles podem usar  endro ou outras ervas aromáticas, substituir o leite por natas, para waffles mais ricas, ou até optar por farinha de trigo integral.

Ingredientes: (4 ou 5 waffles, dependendo do tamanho da vossa máquina)

  • 100 gramas de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 dl de água
  • 1 dl de leite
  • 1  colher de sopa de manteiga
  • 1 pitada de sal
  • 2 colheres de sopa de ervas aromáticas picadas

Para untar a máquina de waffles podem precisar de um pouco mais de manteiga

Preparação:

Comecem por aquecer a máquina de waffles. Entretanto derretam a manteiga e misturem-na, batendo bem, com todos os restantes ingredientes.  Preparem as waffles segundo as indicações da vossa máquina. Sirvam-nas quentes ou frias com salmão fumado e sourcream.

March 18, 2012

Quase, quase Primavera e um gelado com sabor a Sol

by ana

Daqui a pouco o nosso jardim, ainda há umas semanas  coberto de neve, volta a ganhar vida. Da arrecadação saem as mesas e cadeiras, abrem-se os chapéus-de-sol, a fonte é descoberta e posta a funcionar. Em dias  tudo se transforma, há pássaros a beber e brincar na fonte, voltamos a encontrar a família de coelhos dos quais durante o Inverno só vemos as pegadinhas na neve. Incapazes a resistir ao apelo do Sol e do calor, todos descemos ao jardim.

 Deitamo-nos ao Sol neste jardim feito praia onde  em vez de areia quente, sentimos entre os dedinhos do pés a relva ainda meio adormecida, e no lugar do cheiro a mar e protector solar, nos deliciamos com o aroma das flores que despertam. Cheira a rosas e alfazema, sabemos que o Verão se aproxima. 

 Enquanto sonho com a chegada destes dias, a minha época favorita do ano, enquanto o Sol ainda aparece tímido e volta a esconder-se durante dias, enquanto ainda faz tanto frio que ainda saímos de luvas, consolo-me com este gelado, tão perfumado e doce que nem as borboletas lhe resistem.

Gelado de alfazema com borboletas de chocolate.

Para esta receita uso açúcar com alfazema feito com flores do jardim da minha sogra. Na página da Anasbageri no FB, há informação sobre onde podem encontrar este açúcar à venda em Portugal.   Desenhei as borboletas apenas com chocolate derretido sobre papel vegetal.

Ingredientes para  aproximadamente 4 dl de gelado:

  • 1 dl de natas (podem usar natas light, mas não fica tão cremoso)
  •  1,5 dl de leite
  • 2 gemas
  • 60 gramas de  açúcar de alfazema
  • Flores de alfazema e borboletas de chocolate para decorar.

Preparação:

Combinem o leite e as natas numa caçarola anti-aderente, levem ao lume. Ao mesmo tempo batam as gemas e o açúcar  até obterem um creme leve e fofo. Assim que o leite e as natas levantarem fervura, retirem do lume. Com uma concha vão misturando aos poucos as natas e o leite com os ovos e o açúcar. Levem o creme a lume brando até engrossar. Não parem de mexer, até notarem que o creme engrossou um pouco. (Temperatura de 73ºC, caso estejam a usar um termómetro.)

Passem o creme por um passador de rede fina e coloquem-no no frigorífico até estar completamente frio. Gelem seguindo as indicações das vossas sorveteiras. Caso não tenha sorveteira, coloquem o gelado no congelador e de vez em quando batam o creme com a batedeira enquanto está a solidificar para evitar que se formem cristais de gelo.

Sirvam decorado com alfazema e borboletas ou um pouco de chocolate ralado.

March 9, 2012

Um passeio em Torup com merendinha a condizer

by ana

Ao contrário da grande maioria dos portugueses, e na qual eu me incluía, os suecos adoram a vida ao ar livre. De Verão ou Inverno, como sol, neve ou gelo, um sueco feliz é um sueco a fazer caminhadas, andar de bicicleta, ou levar a caravana para junto do mar e passar aí o fim-de-semana a apanhar sol, passear e grelhar salsichas. Tanto amor pela natureza  e pelo exercício físico, provem não só do conceito de Allemansrätten do qual vos falarei brevemente, como da forma como os suecos respeitam e cuidam do seu corpo. Não deve haver povo mais guloso que o sueco, mas muitíssimo raramente vejo alguém com sérios problemas de peso. Parece que por aqui se encontrou o balanço perfeito entre bolos, natas e manteiga “light” com 42% de gordura, e a boa forma física.

E para grande espanto meu, eu que adoro viver no centro da cidade e tenho um teclado colado à ponta dos dedos, rendi-me também ao encanto da natureza na Suécia. Passo o Inverno a sonhar com passeios pelos bosques, e mal se dá o degelo, começam as nossas caminhadas. Este ano, e por causa de pequeno problema de saúde, os trilhos de hiking vão ficar para um pouco mais tarde, mas não resistimos a fazer a primeira visita a Torup para testemunhar este período em  que a natureza volta a acordar e vai prometendo meses de luz e sol.

Ainda que com nuvens e uma temperatura de cinco graus, o parque respirava já o ambiente da época que se aproxima, famílias em passeio, amigos a fazer caminhadas, gente de todas as idades, e até um enorme grupo de turista de máquinas fotográficas em punho. É claro que tanta actividade requer também mantimentos! Desta vez na nossa mochila, para além de água e fruta, levámos também estes queques de legumes que tinha feito há umas semanas e congelado.

São bastante leves e deliciosos. Usei puré de batatas-doces assadas  com alecrim e alho, mas podem cozer simplesmente as batatas ou até substituí-las por puré de cenoura os abóbora. Como podem ver ficaram um pouco frágeis e é melhor que os transportem numa caixinha para não se amachucarem muito. A consistência do puré é importante, se acharem que está muito líquido, acrescentem mais um pouco de farinha.

Ingredientes (6 queques)

  • 1 ovo
  • 1 dl de iogurte natural
  •  150  gramas de farinha de trigo
  • 1 colher de chá rasa de fermento em pó
  • 125 gramas de puré de batata doce
  • 3  colheres de sopa de azeite
  • 3 colheres de sopa de queijo feta em pedacinho pequenos
  • 3 colheres de sopa de pimentos picados (crus)
  • 4 colheres de sopa de cenouras raladas (cruas)
  • Sal, pimenta e alecrim fresco finamente picado.

Preparação:

Numa tigela batam o ovo com o iogurte, o puré de batata-doce e o azeite. Acrescentem  todos os restantes ingredientes, misturando bem mas sem bater.

Deitem o preparado em formas para queques (não se esqueçam de as untar se não estão a usar formas de silicone) e levem-nas ao forno pré-aquecido a 200ºC, durante aproximadamente 25 minutos.

March 1, 2012

Torsk com pimentos na marmita

by ana

Quando vivia em Portugal, lembro-me que trazer almocinho de casa para o trabalho, era sinónimo de pobreza ou pelo menos, algumas dificuldades financeiras. A recusa de se acompanhar o grupo de colegas ao restaurante da esquina para devorar o prato do dia em meia hora e voltar ao trabalho a tresandar a batatas fritas, era invariavelmente recebida como olhares de comiseração. Ela não vem? Não coitada, sabes como é…

Fora do país do fazer ver, sabia eu bem que o hábito da marmita nunca se havia perdido. Por que  motivo passaram os portugueses a preferir um panado comido de pé encostados ao balcão, a uma caixinha de comida caseira, é algo que nunca compreendi.

Há uns anos só quem se estivesse perfeitamente marimbando para o que era ou não socialmente aceite, tinha a coragem de levar a marmita de casa, hoje em dia,  marmitar está na moda. A mim cheira-me que em alguns casos esta é um tendência mais ditada por necessidades económicas do que por preocupações com o tipo de alimentação que fazemos, e que quando as vacas voltarem a engordar, a maioria dos marmiteiros vai voltar ao bitoque com ovo a cavalo…mas até ver…marmitemos. (Estarei errada? O que pensam? Pergunto-me por vezes se a imagem que tenho de Portugal corresponde ainda à realidade…)

 Convencer o  viking a levar almoço  para o trabalho não foi uma tarefa fácil, habituado a morar sozinho, tinha por hábito almoçar fora todos os dias e jantar em casa apenas umas wasa e fruta com chá. Com a minha chegada, o frigorífico encheu-se de legumes e produtos frescos, os tachos começaram a ser usados, e passou a haver refeições em casa e na marmita.

Eu nunca como mais do que fruta, iogurtes ou sopa ao almoço e portanto todas as marmitas que faço são para o viking que desde que começou a levar o almoço de casa até já perdeu peso! Já partilhei convosco algumas receitas que podem ser transformadas em marmitas, são sempre refeições leves mas que deixem o viking satisfeito.

Ao contrário de muitas pessoas que levam na marmita o jantar da véspera, eu cozinho especialmente para as marmitas,  em quantidades grandes que congelo já em doses, usando ingredientes e receitas que:

  •  congelem bem  (não sequem demasiado, não percam o sabor e consistência originais)
  • sejam baixos em hidratos de carbono simples (queremos uma refeição que nos dê energia, não sono)
  • cheirem bem e estejam apresentáveis depois de aquecidas

Este peixe com pimentos é tão tão delicioso e aromático que o viking não resistiu e me pediu este domingo para comer a marmita em casa ao jantar. (Duas doses da marmita não chegaram a ver o interior de uma caixa) Uso torsk ou cod certificado pelo MCS, (da família do bacalhau, m sem ser salgado), mas podem preparar a receita com outros peixes do mesmo tipo.

Ingredientes  (3 marmitas tamanho viking)

  • Lombos de peixe
  • 1 pimento vermelho
  • 1 dente de alho
  • 2 bolbos de funcho
  • 2 caixas de tomates cereja
  • 2 pimentos amarelos
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • Sal e pimenta

 Preparação:

Coloquem o funcho partido em pedaços num tabuleiro, temperem-no levemente com sal, salpiquem com azeite e levem ao forno aquecido a 150ºC. Passados 10 minutos acrescentem os pimentos amarelos.

No processador de alimentos piquem o alho com o pimento vermelho, sal, pimenta e o restante azeite.

Quando os legumes estiverem quase tenros, retirem o tabuleiro do forno, juntem os tomatinhos e agitem bem para que todos os ingredientes estejam misturados. Ao centro do tabuleiro abram uma pequena área para colocarem os lombos de peixe, previamente temperados com sal e pimenta. Cubram os lombos de peixe com o puré de pimento vermelho. Levem o tabuleiro ao forno (180ºC), até o peixe atingir uma temperatura de 45ºC, o que no meu forno e com o tamanho dos lombos de torsk demorou pouco mais do que 10 minutos. Tenham cuidado para não deixar o peixe cozinhar demais, não se esqueçam que ao aquecê-lo no micro ondas vais secar um pouco mais.