A minha vida na Suécia

Quase Convidei para Jantar no restaurante dos meus sonnhos

O CpJ deste mês decorre em casa da Manuela e tem como tema restaurantes de sonho

O Restaurante dos meus sonhos serve comida que respeita a natureza, as estações e a forma como a comida é produzida e chega às nossas mesas. A decoração é simples, posters antigos, uma colecção de pequenos fogões de ferro forjado, aviões e moinhos de café e pimenta. Há quadros e livros de culinária. Através das paredes de vidro vemos um pequeno porto, a ponte que nos liga à Dinamarca. Todos os produtos usados neste restaurante, das velas das mesas aos tapetes, das lâmpadas e papel às mesas e cadeiras, respeitam o ambiente.

A cozinha é semi aberta para a grande sala de jantar que abre todos os dias (expecto Domingo, dia sagrado para o descanso do pessoal) para o serviço de almoço e jantar. Os menus são magníficos, testados, apontados, tiram-se fotos sobre a melhor forma de colocar cada elemento no prato, fazem-se alterações constantes para melhorar a qualidade e apresentação de entradas pratos principais e sobremesas.

Neste restaurante nada se compra pré fabricado. Aqui não há frascos de maionese nem de pickles. No frigorífico dos legumes há grandes frascos de conservas de legumes, o pão com sourdough prepara-se duas vezes por dia na pequena padaria do restaurante. Todas as refeições se iniciam quase como em Portugal com uma tacinha de manteiga e pão quentinho sobre a mesa.

Às onze da manhã assim que está pronta a primeira fornada de pão, põe-se a mesa para o pequeno almoço do pessoal. O menu é de novo lido e cada detalhe explicado aos empregados da sala de jantar, acertam-se os últimos pormenores. Quantas mesas marcadas? Nesse grupo servimos vegetarianos? Vegans?  Quantos intolerantes à lactose? Usaste farinha de batata? Há glúten no molho?

Abrem-se as portas. O dono do restaurante  é um apaixonado por Portugal e quase todos os dias  escolhe cds da Amália ou dos Madredeus como música ambiente durante as refeições.

O som da pequena impressora anuncia a chegada dos primeiros pedidos à cozinha. “Dois gaspachos com gelado de manjericão, três patés em espera, quatro arenques fråm.” ja tack, ja tack ja tack.

Salt och Brygga um dos melhores restaurantes Eko da Suécia,  é o restaurante dos  meus sonhos, e a realidade de Björn Stenbeck, um defensor da boa comida, do ambiente, e um ciclista ferranho que já pedalou de Malmö a Lisboa.

Na cozinha trabalham três cozinheiros e o chef de cozinha, e uma estagiária –

eu.

 O primeiro serviço de jantar com o Tobias nas sobremesas

O primeiro serviço de jantar com o Tobias nas sobremesas

Cheguei há três semanas convencida que, como todos os estagiários ia passar oito horas por dia a preparar legumes, e fazer todas as tarefas que são consideradas mais aborrecidas na cozinha. Estava enganada!

Todo o pão é feito por mim, levei de casa uma caixinha com o meu starter que começámos a usar alternado com o do restaurante. Posso testar receitas, fazer sugestões, contribuir com ideias…

Milos em controlo do seu domínio, a cozinha quente

Milos em controlo do seu domínio, a cozinha quente

Cada elemento das sobremesas é pré preparado por mim. Pelas minha mãos passam diariamente quase uma centena de ovos, litros de natas, pacotes e pacotes do melhor chocolate. Os homens da cozinha, que preferem os facalhões e o calor do fogão, parecem felizes com alguém que goste de passar seis horas a fazer gelados, e de servir as sobremesas, e eu agradeço.

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Feitas as sobremesas e as entradas, (algumas com carne como o paté com fígados de galinha, não são tão divertidas de fazer,  admito) passo a ajudar na cozinha quente. A regra de ouro nas cozinhas parece ser que estagiários não tocam em proteínas, mas eu tive sorte e em especial o chef de cozinha que é o  meu orientador confia peixe e carne nas minhas mãos. Há muito pouco que os cozinheiros fazem que eu não tenho tido a oportunidade de fazer.

 restar a apresentação de uma entrada

restar a apresentação de uma entrada

Acidentes já houve. Uma vez estava eu a “olear” as formas de baguete com um spray e comentei com eles, “ é por isso que eu detesto este tipo de sprays, que mau cheiro… isto até faz mal ao estômago….”

Um dos cozinheiros também estranhou o cheiro e veio ver, alguém tinha deixado uma lata de um spray para limpar metais na padaria. Metade das baguetes foram para o lixo, as formas estão a brilhar.

Na terça-feira à tarde comecei a sentir uma enorme dor no peito e dificuldade a respirar. Eu não sou choramingas, mas não conseguia fazer nada na cozinha, telefonei ao viking e fui para o hospital. Notem que eu sou o tipo de pessoa que em caso de risco de vida toma duas aspirinas, portanto imaginem o estado em que eu estava para entrar no carro e dizer “ leva-me já para o hospital”. Aparentemente magoei uma costela o que provoca dores a respirar e movimentar o meu braço esquerdo. O médico recomendou cinco dias em casa, mas como me deu uns medicamentos bastante fortes para as dores, no dia seguinte às oito da manhã já estava de novo na cozinha.

Ontem durante o serviço de jantar servimos também um buffet para 21 pessoas pelo qual eu fui responsável. (As sobremesas ainda não estão prontas a servir)

Ontem durante o serviço de jantar servimos também um buffet para 21 pessoas pelo qual eu fui responsável. (As sobremesas ainda não estão prontas a servir)

Tem sido uma semana mais difícil porque vejo que eles estão preocupados com o que eu posso e não posso fazer, e eu tenho de pedir muitas vezes ajuda porque não consigo carregar nada mais pesadote. Eles insistem para eu ir para casa eu digo que estou óptima.

Na cozinha o tempo passa a correr e as oito horas diárias são sempre poucas para mim. Trabalho seis dias por semana, dez a doze horas por dia, por vezes catorze.

Temo o dia em que o sonho que tem sido este estágio termine, eu volto à escola, Amália continua a acompanhar as refeições, as minhas receitas e o meu starter ficam no restaurante.

Hoje não há receita, mas vou pedir autorização ao Tobias, o meu chef de cozinha para colocar aqui algumas receitas dele e do restaurante quando terminar o meu estágio.

As fotografias bonitas são do site do restaurante, as menos bonitas foram tiradas com o telemovel na correria da cozinha, talvez esta semana tenha tempo para fotografar melhor as nossas actividades.

Um abraço a todos e até breve.

Feliz Ano Novo e um pequeno update

Antes de mais um agradecimento pelos vossos e mails  com votos de boas festas, ainda não consegui responder a todos, mas não estão esquecidas!

Por aqui e depois de umas pequenas férias em Portugal, voltei ao estágio que vai durar até ao fim do mês.  Quando acabar este período farei um balanço e partilho convosco algumas fotos. Para os mais curiosos, em Novembro e Dezembro estive aqui: Scandic S:t Jörgen e até ao fim de Janeiro o estágio  continua neste restaurante: Glasklart .

O Convidei para Jantar volata para o mês que vem, com uma nova anfitriã e  mais um tema que nos vai supreender. Na realidade tinha planeado ser eu a receber o passatempo em Janeiro/Fevereiro porque festejamos um ano de jantares, mas a imensa falta de tempo para escrever ou organizar as vossas participaçães não mo permitiu, ficará para outra oportunidade.

Tal como em Portugal, estamos aqui a ter dias de muito frio e vento… para nós acompanhados de neve e gelo….eu conto os dias para o fim de Fevereiro e dos dois piores meses do ano.  Deixo aqui um link para que possam ver algumas imagens em tempo real da minha cidade, vista assim quase parece uma imagem de um postal, mas acreditem que a verdade é gelo e lama, quedas e frieras.

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Volto  com mais notícias assim que puder. Agora de volta para mais um Módulo do curso de Higiene enquanto espero pelo viking que foi trabalhar para o escritório.

Um abraço a todos e até breve.

25 de Março na Suécia é o dia das waffles

Dia da Anunciação a Nossa Senhora? Não! Na Suécia  dia 25 de Março é mais uma data no tradicional calendário gastronómico, o dia em que comemos waffles. Aqui na Padaria é a segunda vez que festejamos também o våffeldagen, e para não estar sempre a repetir todos os anos a mesma história, se ainda não eram clientes deste espaço há um ano, leiam por favor este post no qual explico mais sobre a origem desta tradição.

Ontem, e para além das tradicionais waffles doces, que  comemos com gelado, preparei também waffles estaladiças e aromatizadas com endro. Estas waffles são excelentes servidas com entrada  numa festa, cobertas com um pouco de salmão fumado ou caviar e sourcream. Para nós foram uma refeição leve, comida na varanda com Sol e um delicioso vinho branco do Chile. O dia em que pela primeira vez comemos na varanda, que durante o Inverno serve de frigorífico extra, é sempre especial aqui em casa, marca a certeza de meses de Sol e bom tempo, a chegada definitiva da Primavera. E para vocês? Há algum dia, acontecimento ou prato que anuncie esta estação?

Para preparar estas waffles podem usar  endro ou outras ervas aromáticas, substituir o leite por natas, para waffles mais ricas, ou até optar por farinha de trigo integral.

Ingredientes: (4 ou 5 waffles, dependendo do tamanho da vossa máquina)

  • 100 gramas de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 dl de água
  • 1 dl de leite
  • 1  colher de sopa de manteiga
  • 1 pitada de sal
  • 2 colheres de sopa de ervas aromáticas picadas

Para untar a máquina de waffles podem precisar de um pouco mais de manteiga

Preparação:

Comecem por aquecer a máquina de waffles. Entretanto derretam a manteiga e misturem-na, batendo bem, com todos os restantes ingredientes.  Preparem as waffles segundo as indicações da vossa máquina. Sirvam-nas quentes ou frias com salmão fumado e sourcream.

Quase, quase Primavera e um gelado com sabor a Sol

Daqui a pouco o nosso jardim, ainda há umas semanas  coberto de neve, volta a ganhar vida. Da arrecadação saem as mesas e cadeiras, abrem-se os chapéus-de-sol, a fonte é descoberta e posta a funcionar. Em dias  tudo se transforma, há pássaros a beber e brincar na fonte, voltamos a encontrar a família de coelhos dos quais durante o Inverno só vemos as pegadinhas na neve. Incapazes a resistir ao apelo do Sol e do calor, todos descemos ao jardim.

 Deitamo-nos ao Sol neste jardim feito praia onde  em vez de areia quente, sentimos entre os dedinhos do pés a relva ainda meio adormecida, e no lugar do cheiro a mar e protector solar, nos deliciamos com o aroma das flores que despertam. Cheira a rosas e alfazema, sabemos que o Verão se aproxima. 

 Enquanto sonho com a chegada destes dias, a minha época favorita do ano, enquanto o Sol ainda aparece tímido e volta a esconder-se durante dias, enquanto ainda faz tanto frio que ainda saímos de luvas, consolo-me com este gelado, tão perfumado e doce que nem as borboletas lhe resistem.

Gelado de alfazema com borboletas de chocolate.

Para esta receita uso açúcar com alfazema feito com flores do jardim da minha sogra. Na página da Anasbageri no FB, há informação sobre onde podem encontrar este açúcar à venda em Portugal.   Desenhei as borboletas apenas com chocolate derretido sobre papel vegetal.

Ingredientes para  aproximadamente 4 dl de gelado:

  • 1 dl de natas (podem usar natas light, mas não fica tão cremoso)
  •  1,5 dl de leite
  • 2 gemas
  • 60 gramas de  açúcar de alfazema
  • Flores de alfazema e borboletas de chocolate para decorar.

Preparação:

Combinem o leite e as natas numa caçarola anti-aderente, levem ao lume. Ao mesmo tempo batam as gemas e o açúcar  até obterem um creme leve e fofo. Assim que o leite e as natas levantarem fervura, retirem do lume. Com uma concha vão misturando aos poucos as natas e o leite com os ovos e o açúcar. Levem o creme a lume brando até engrossar. Não parem de mexer, até notarem que o creme engrossou um pouco. (Temperatura de 73ºC, caso estejam a usar um termómetro.)

Passem o creme por um passador de rede fina e coloquem-no no frigorífico até estar completamente frio. Gelem seguindo as indicações das vossas sorveteiras. Caso não tenha sorveteira, coloquem o gelado no congelador e de vez em quando batam o creme com a batedeira enquanto está a solidificar para evitar que se formem cristais de gelo.

Sirvam decorado com alfazema e borboletas ou um pouco de chocolate ralado.