Archive for ‘bebidas’

February 7, 2012

Convidámos para jantar… Lestat de Lioncourt

by ana

Leiam mais sobre o projecto Convidei para jantar, como podem participar e receber este passatempo nos vossos blogues, neste post.

Não sei quantos de vós conheceram  os vossos significant others por causa de um livro ou um escritor, mas  é a Anne Rice e às suas personagens que eu o viking agradecemos o facto de nos termos encontrado, e por isso não podíamos deixar passar este mês sem convidar para jantar connosco a sua mais brilhante criação: Lestat de Lioncourt.

Receber em nossas casas pessoas com hábitos alimentares  diferentes dos nossos é sempre um pouco complicado e requer alguma imaginação, mas o que servir num jantar em que o convidado segue uma restrita dieta de sangue humano?

Para o menu deste jantar optámos por servir pratos que Lestat pudesse saborear sem comer. À primeira vista parece estranho, mas não é diferente da forma como muitos de nós “saboreamos” coisas como um livro novo que nos chega às mãos, ou entrar num quarto acabado de encerar. Uma refeição que tenta realçar as sensações trazidas pelos restantes sentidos, comida que se pode tocar, escutar, ver e cheirar. Brincámos com cores, texturas, temperaturas e um tema relacionado com o convidado.

Para evitar o desconforto de nos sentarmos à mesa com alguém que não come, servimos um jantar muito leve e informal  na sala, sem pratos, garfos ou facas.

A imagem que tenho de Lestat é a mesma de há quase vinte anos, quando pela primeira vez o conheci nos livros de Anne Rice e no filme “Entrevista com o Vampiro.” Imagino-o alto, loiro, sedutor, vejo-o de casaca de veludo e punhos de renda, um retrato do século XVIII que há muito deixou para trás.

O Lestat que recebemos é diferente, menos exuberante. Noto-lhe o charme e sorriso fáceis e despretensiosos com que me  entrega flores e uma garrafa de Chateau d’Yquem.

Quando chego à sala com a entrada, Lestat e o viking perderam já o desconforto da primeira conversa entre estranhos. Acenderam as velas, escolheram música, Lestat folheia com curiosidade um dos livros da secção Vampiros não –  ficção. Aproveito e pergunto-lhe acerca da Ilha de Santorini, onde se diz viverem milhares de vampiros.

-É infelizmente verdade e a pequena ilha está cada vez mais in  também entre os novos vampiros. Não imaginam o preço do metro quadrado de cripta! Mais caro que uma penthouse  no Upper East Side. – conta-nos.

A entrada é uma versão de sangria com glóbulos vermelhos de vinho tinto e especiarias, que ao derreterem invadem a bebida de um vibrante tom carmim que parece fascinar Lestat. Enquanto brinca com os pedaços de gelo confidencia-nos que depois de mais de duzentos anos o sangue perdeu um pouco o seu fascínio, e por ser tão forte raramente precisa de se alimentar.

Segue-se o prato principal: Mais uma brincadeira pelo mundo dos mitos ligados aos vampiros. Borscht, uma sopa de beterrabas tradicional em países com a Roménia, acompanhada de manteiga com alho e endro e pão torrado.

Falamos de estórias e velhas tradições, dos vampiros clássicos como o Conde  “um snob que não soube adaptar-se aos tempos modernos e vive quase enclausurado no seu castelo”, de Bela Lugosi e de Murnau.

Conta-nos que conhece alguns dos vampiros modernos, esteve há pouco tempo com Eli e Oskar. Eli, a vampira menina sueca recorda-o de Claudia, e lembra com saudades os tempos em que viveu feliz na companhia da sua pequena filha e de Louis.

Enquanto parte pedacinhos de pão que mergulha na manteiga de alho e oferece a Lestat – O gato, partilha o seu desagrado pelos novos vampiros muito em voga nos últimos tempos:

- Este grupinho de vampiros vegan que usam protector solar e brilham é a coisa mais patética que vi nos  últimos séculos. Com tempo e poder para viver todas as aventuras, visitar todos os locais, conhecer as mais interessantes pessoas do nosso mundo e do vosso, preferem passar a eternidade a fazer-se passar por estudantes teenagers com ares de James Dean falhado?! E dizem-se vampiros??

Para o acalmar sugiro que passemos à sobremesa, gelatina de laranja sanguíneas e chili com licor de laranja. Servimos o Sauternes e pela primeira vez vejo uma sombra de tristeza, quase melancolia no seu rosto. Evito pensar que talvez o vinho lhe recorde a sua vida humana, um jovem aristocrata francês a quem nunca foi dada a escolha da mortalidade.

Lestat – O gato, instala-se ao seu colo, num gesto de conforto e confiança que raramente mostra a quem nos visita, o nosso convidado fala-nos da sua mãe, o único membro da sua família mortal que tornou vampiro. Promete-nos que para a próxima trará Gabrielle para jantar connosco.

Olho sem querer para o relógio, em breve o nosso convidado precisará de encontrar um refúgio onde possa evitar o único inimigo que o pode vencer.

- Não te preocupes. – sossega-me – É Inverno e estamos na Suécia, temos a noite toda para conversar.

Como o post já vai tão longo, partilho hoje convosco apenas como fiz a sobremesa. As receitas do pão e do Borscht serão publicadas brevemente.

Gelatina de laranja sanguínea com chili e licor

Nesta gelatina uso Chili, se não os encontrarem, talvez um flocos de malagueta seca sejam o suficiente para o toque picante desta sobremesa.

Ingredientes: (duas taças)

  • 3 dl de sumo natural de laranja sanguínea
  • 1/2 dl de licor de laranja (Triple Sec como  Cointreau ou Grand Marnier)
  • 2 folhas de gelatina
  • chili seco em flocos
  • 1/3 de um pimento chili fresco
  • iogurte grego

Preparação:

Coloquem o chili fresco a marinar no licor de laranja.

Misturem o sumo de laranja com o licor (sem o pimento). Acrescentem as folhas de gelatina previamente amolecidas em água fria, misturem até tudo estar bem dissolvido. Deitem o preparado em tacinhas e levem ao frigorífico até solidificar. Sirvam com iogurte grego e uns salpicos de chili seco.

December 16, 2011

Rochedos de Chocolate e Black Balsam

by ana

Vi há muitos anos no Livro de Bolos e Bolinhos da margarina vaqueiro, pela primeira vez a receita de Rochedos de Chocolate, chocolate, corn flakes e manteiga. A receita é simples mas o conceito e texturas pareceram-me tão saborosos e tentadores, que partindo da ideia base, tenho ao longo dos anos, vindo a experimentar várias combinações para a enriquecer.

Hoje partilho convosco uma das minhas favoritas, uma versão só para adultos, rica e muito aromática. Um prazer que se prova em casa dentada, a mistura das passas a pingar de Black Balsam, as texturas macias em contraste com o crocante das amêndoas e dos cereais, tudo envolvido num delicioso chocolate e no leve e final aroma a canela. A receita faz-se em  minutos, e se resistirem a devorar o seu resultado, estes rochedos são uma deliciosa e requintada opção para quem gosta de oferecer presentes caseiros.

Black Balsam é uma bebida feita  com base em vodka, e uma enorme variedade de bagas, plantas, ervas e raízes, tradicional na Letónia. Caso não encontrem esta bebida podem substitui-la por outra a vosso gosto, brandy ou até um pouco de vinho do Porto, parecem-me boas opções.

Ingredientes: (30 rochedos, 28… já comemos 2 ….26… talvez seja melhor fazer mais)

  • 250 gramas de chocolate escuro de boa qualidade
  • 40 gramas de manteiga
  • 50 gramas de corn flakes
  • 75 gramas de amêndoas lascadas
  • 0.5 dl de Black Balsam
  • 3 colheres de sopa de passas
  • 1 colher de café de canela moída

Preparação:

Coloquem as passas de molho no Black Balsam.

Derretam o chocolate no micro-ondas. Usem uma baixa potência e vão verificando a cada 30 segundos.

Misturem o chocolate com a manteiga, as passas e o Black Balsam, e a canela. Quando tudo estiver bem incorporado juntem as amêndoas e os corn flakes.

Com a ajuda de duas colheres de café, deitem o preparado em forminhas de papel. Deixem solidificar e guardem longe do vosso alcance  o quanto antes.

November 28, 2011

Primeiro Domingo do Advento – novidades na Padaria e bolachas de especiarias um pouco mais leves

by ana
 Começamos com as novidades. Como já viram, criei uma página no Facebook para a nossa Padaria. Lá encontrarão novidades, sugestões e curiosidades relacionadas com gastronomia e a vida na Suécia que  não cabem necessariamente no espaço deste blogue. Espero que gostem.

E aqui estamos quase no início do melhor mês do ano. Ontem, um aviso de tempestade de grau 3, marcou  a chegada do período do Advento. Até ao Natal, todos os domingos à noite, nos aconchegamos no sofá, acendemos mais uma vela, bebemos glögg e comemos bolachas de gengibre ou outros doces relacionados com a época. (Na categoria Natal, encontram várias receitas de pepparkakor e a sua história.)

A Willow também quis aparecer na fotografia.

Há um ano escrevi já alguns posts sobre este tema. Aqui podem ler sobre o significado das velas que acendemos cada domingo que antecede o Natal. Neste post  encontram a receita de Glögg, o vinho quente com especiarias, típico na  Suécia nesta época. Costumamos comprar esta bebida já preparada porque todos os anos aparecem sabores novos que queremos experimentar. Em Portugal podem comprar glögg no Ikea, ou  optar por prepará-lo em casa.

Ontem em vez das tradicionais bolachas de especiarias/gengibre a que chamamos pepparkakor, lembrei-me de fazer, para acompanhar o glögg, uns biscoitos com os mesmos aromas, mas sem açúcar, usando farinha de centeio, e um pouco mais leves. A textura destas bolachas continua a ser estaladiça, mas sem a riqueza e crocante do açúcar. São ideias para acompanhar um pouco de queijo, servi as nossas com creme de queijo azul e pimenta rosa, ou doce.

Ingredientes: (1 tabuleiro de biscoitos)

  • 0,5 dl de xarope dourado (vejam aqui)
  • 50 gramas de manteiga
  • 0,7 dl de leite
  • 1 colher de chá de canela e gengibre em pó
  • Raspa da casca de uma clementina
  • 220 gramas de farinha de centeio
  • 1 colher de chá rasa de fermento em pó

Preparação:

Na véspera de prepararem as bolachas, aqueçam a manteiga, o xarope, as especiarias, o leite e raspa da casca da clementina, mexam uns minutos em lume brando, retirem do lume e reservem até ao dia seguinte.

Aqueçam o forno a 175ºC.

Numa tigela misturem a farinha com o fermento, adicionem  a mistura que prepararam na véspera e trabalhem levemente a massa, apenas até tudo estar bem ligado. A massa tem de estar compacta o suficiente para poder ser estendida, sem estar demasiado seca, podem por isso precisar de acrescentar um pouco mais de  farinha.

Forrem um tabuleiro com papel vegetal. Estendam a massa até esta ter uma espessura aproximada de 3 mm. Com cortadores de bolachas,  ou uma roda de cortar pizzas, cortem os biscoitos do tamanho e formato que desejarem.

Coloquem os biscoitos no tabuleiro, piquem-nos com um garfo e levem a cozer ao forno durante 10 a 15 minutos, ou até estarem douradinhos e estaladiços.

October 23, 2011

Beeramisu made in Portugal

by ana

Lembrar-se-ão certamente de Chris Badenoch o  irreverente, apaixonado por cerveja e defensor do “nose to tail eating” participante da primeira temporada do Masterchef Australia. Das muitas receitas fantásticas que conheci através deste programa, o Beeramisu, um Tiramisu enriquecido com cerveja de chocolate, criado por Chris Badenoch, foi uma das melhores, mais originais e surpreendentes que experimentei até agora.

 

 Embora a lista de ingredientes possa fazer transparecer uma sobremesa rica e pesada, o resultado final é uma combinação perfeita dos vários aromas e sabores deste doce. Primeiro o licor de amêndoa amarga, a riqueza do mascarpone, o leve tom ácido das framboesas, a textura dos biscoitos e das raspinhas de chocolate, tudo a terminar no último prazer, quando já estamos prontos a devorar outra colherada, a cerveja de chocolate.

Para fazer companhia à cerveja de chocolate da nossa Sagres que conheci através da Mané, escolhi usar em vez de Amaretto, o nosso licor de amêndoa amarga. (a receita foi bastante alterada por mim)

Ingredientes: (alimenta 6 gulosos)

  • 1 garrafa de cerveja de chocolate (usei da Marca Sagres)
  • 2 colheres de sopa de licor de amêndoa amarga
  • 2 ovos
  • 4 colheres de sopa de açúcar
  • 2 dl de natas
  • 200 gramas de mascarpone
  • Biscoitos  savoiardi -  depende das camadas. (para metade da receita usei um pacote)
  • Framboesas e chocolate para decorar.

 Preparação:

Batam as claras com 2 colheres de açúcar, até estarem em castelo, reservem. Batam as natas em chantilly, reservem. Batam (desculpem a repetição) as gemas com o restante açúcar até o creme duplicar de volume. Sem bater, misturem as gemas com o queijo e o licor de amêndoa amarga. A este preparado juntem, envolvendo cuidadosamente, as natas e as claras.

No recipiente onde vão servir a sobremesa, alterem camadas deste creme e dos biscoitos humedecidos na cerveja de chocolate. Terminem decorando um chocolate amargo ralado e framboesas.