Archive for ‘bolos e sobremesas’

April 27, 2012

Este mês os Daring Bakers visitam a Arménia

by ana

Este mês o desafio dos Daring Bakers foi proposto pelo Jason do blogue DailyCondor.com que nos convidou a experimentar duas receitas do seu país natal: nazook e bolo de noz-moscada. Podem ver as duas receitas e as participações de todos os Daring Bakers aqui.

Em nossa casa optámos por experimentar o bolo de noz-moscada e   estamos encantados com o resultado. Sou uma pouco suspeita porque adoro esta especiaria, e reconheço que este bolo  tão pouco convencional vos possa parecer estranho, mas é mesmo delicioso. Não imaginam o cheirinho que se espalha por  toda a casa enquanto o bolo está no forno.

A receita que vos apresento é a versão feita usando o processador de alimentos, mas pode prepará-la de forma tradicional. Como somos só dois fiz metade da receita original, e este é um dos casos em que nos arrependemos de não termos preparado um bolo maior…

A receita usa 400 gramas de açúcar,   o que também me assustou, mas o resultado final está longe de ser demasiado doce, e uma pequena fatia é mesmo o suficiente para nos levar ao céu.

Ingredientes: ( eu fiz apenas metade desta receita)

  • 240 ml de leite
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 2 colheres de chá de fermento em pó
  • 280 gramas de farinha de trigo
  • 400 gramas de açúcar mascavado
  • 170 gramas de manteiga em cubinhos
  • 1   a 1 ½  colher de chá de noz-moscada -  de preferência acabada de moer
  • 1 ovo (para metade da receita usei também 1 ovo)
  • 55 gramas de nozes para decorar (eu usei sementes)

Preparação:

(Podem ver o vídeo do Jason aqui)

Aqueçam o forno a 175ºC.

Forrem o fundo de uma forma de fundo amovível ( 23 cm de diâmetro) com papel vegetal, ou barrem-ma com manteiga.

Misturem o leite o bicarbonato de sódio e reservem.

Na tigela do processador de alimentos coloquem a farinha, o fermento e o açúcar, usem o PULSE até obterem uma mistura uniforme.

Adicionem a manteiga. PULSE até a massa  se parecer com areia. Deitem metade da mistura na forma e pressionem de modo a que fique compacta. (como se fosse a base de um cheese cake.)

À restante mistura adicionem o ovo, a noz-moscada e o leite, misturem até tudo estar bem incorporado.

Deitem o preparado na forma, decorem com as sementes ou nozes e levem ao forno durante 30 a 40 minutos. Não se esqueçam de fazer o teste do palito.

Deixem o bolo arrefecer, o que é difícil porque o seu aroma é absolutamente irresistível, antes de o desenformar.

April 4, 2012

Que saudades da outra Páscoa

by ana

A pastelaria semi-industrial é para muitos de nós motivo de paixão um certo orgulho  quase clubístico. Os bolos da nossa Pastelaria favorita são sempre os melhores e não hesitamos em defender a sua honra. “Não há como os Garibaldis da Suiça, ai isso tem paciência, prova e depois logo me dizes”.

Qualquer pessoa a viver fora  de Portugal vos dirá que, uma das coisas de que temos mais saudades, é dos bolinhos das nossas  Pastelarias predilectas. E isto não quer dizer que os bolos dos países onde vivemos não sejam bons, creio que é o ambiente do cafés portugueses que nos faz falta. As grandes montras repletas de delícias que nos acompanharam toda a vida, o barulho das máquinas do café, o tom quase familiar dos empregados “Quer o compal fresco? Mais alguma coisa menina?”.

Entrar em locais como a Páscoa ou a antiga Lua-de-Mel, é para mim hoje como voltar a ter cinco anos, colar a cara às vitrines dos bolos, demorar sem vergonha nem culpa um tempo infinito para escolher o bolo que vamos comer, e fazer a eleição final apenas quando ouvimos “Digam lá os senhores o que vai ser?”

Impossibilitada de poder ir à Páscoa a meu belo prazer, fui nos últimos anos “obrigada” a tentar reproduzir em casa  os pecados da nossa pastelaria semi industrial. Desta vez apeteceu-me um Rim. Como é possível que alguém se tenha lembrado de dar este nome a um bolo está para além do meu entendimento. Rim?? Haverá órgão menos atraente? Bem, vesícula biliar ou fígado também não me parecem nada apetecíveis….

Rim não é o mais estranho, pelas Pastelarias do nosso país podemos também encontrar bolos com nomes como: Orelha e Tíbia mais dois deliciosos exemplos da anatomia humana; Sogra, Sidónio, Contraplacado, e a famosa Pirâmide que na verdade é um cone.

Quais são as vossas Pastelarias favoritas? Partilhem enquanto nos sentamos a comer estes delicados e muito fáceis de preparar Rins, eu ofereço os cafezinhos.

Se nunca trabalharam com este tipo de massa cozida, vejam o meu passo-a-passo para profiteroles. Se não querem fazer Creme de Pasteleiro, podem  talvez usar um pouco de doce de ovos ou Custarda.

Ingredientes (4 rins, dependendo do tamanho)

Para a massa de choux:

  • 90  ml de água
  • 40  gramas de manteiga ou margarina
  • 1 pitada de sal
  • 1 uma colher de chá cheia de açúcar
  • 60 gramas de farinha de trigo
  • 2 ovos grandes

Para rechear:

Para cobrir:

  • 150 gramas de chocolate derretido em banho-Maria com 2 colheres de sopa de natas.

Preparação:

Aqueçam o forno a 220ºC.

Forrem um  tabuleiro com papel vegetal.

Num tacho deitem a água, a manteiga, o sal e o açúcar. Aqueçam em lume médio até levantar fervura.

Quando estiver a ferver retirem do lume e rapidamente juntem a farinha peneirada, mexam bem. Voltem a colocar a massa ao lume, mexendo sempre, até que a massa comece a secar e se descole do fundo e paredes do tacho.

Passem a massa para uma tigela e batam-na durante mais ou menos um minuto para que arrefeça um pouco.

Incorporem os ovos, um de cada vez, batendo bem entre cada adição. Com o primeiro ovo a massa vai parecer talhada, não se preocupem,  continuem a bater. Eu uso a batedeira porque é realmente muito mais fácil, mas podem bater a massa com uma colher de pau.

Assim que a massa estiver pronta,  vão ter de trabalhar rapidamente. Para fazer os Rins podem usar um saco de pasteleiro, ou simplesmente ir colocando colheres de massa no tabuleiro dando-lhes a forma desejada.

Esta massa cresce imenso, tomem atenção ao espaço entre os Rins no tabuleiro.

Coloquem o tabuleiros no forno (220◦C ) até os Rins terem crescido e ganharem uma cor dourada. (8 a 10 minutos). Muita atenção que neste período não podem abrir a porta do forno, ou  os Rins desmaiam e ficam achatados.

Baixem a temperatura para 180◦C e continuem a cozedura durante mais 10 a 15 minutos até os Rins  estarem secos. O resultado final deve ser um bolo muito leve e oco por dentro.

Depois de frios recheiem os Rins com Creme de Pasteleiro e cubram-nos com chocolate derretido.

March 23, 2012

Mazarintårta

by ana

Já de saída para o fim-de-semana, aqui fica a sugestão de mais um doce muito popular na Suécia. A mazarintårta  é a versão crescida das mazariner, uns bolinhos de amêndoa e ovos indispensáveis na fika, ou pausa para café, tão apreciada pelos suecos.

As “verdadeiras” mazariner são depois de recheadas e cozidas, cobertas com um “glasyr” de icing sugar, água e   por vezes corante verde, o que honestamente  não acrescenta nada em termos de sabor ou textura a estes bolos. Vocês conhecem-me, sabem que não sou mulher para poupanças na gordura das natas, nem na manteiguinha, mas cobrir um bolo que por si já é tão rico com uma placa de açúcar, até a mim arrepia!

Se não gostam de fazer bases de tartes em casa, podem comprar uma base de massa quebrada já preparada.

Eu uso o recheio feito com massa de amêndoa, mas caso não encontrem este produto (uma espécie de massapão que se vende nas grandes superfícies em Portugal), deixo aqui também uma alternativa, que retirei do livro Sju Sorters Kakor.

Esta receita é suficiente para 18 mazariner, ou uma tarte feita numa forma com 24 cm de diâmetro.

Ingredientes:

Recheio com massa de amêndoa:

  • 50 gramas de manteiga amolecida
  • 200 gramas de massa de amêndoa
  •  3 ovos
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo

Alternativa:

  • 150 gramas de amêndoas picadas
  • 75 gramas de manteiga amolecida
  • 3 ovos
  • 150 gramas de açúcar

Preparação:

Forrem a forma com a base da tarte e coloquem-na no frigorífico. Aqueçam o forno a 175ºC.

Preparem o recheio batendo bem todos os ingredientes.

Encham a base da tarte com o recheio e levem a cozer durante aproximadamente 25 minutos.

March 16, 2012

Savarin com whisky – Um bolo especial para o nosso paizinho

by ana
O nosso paizinho é um viking cheio de sorte, todos os anos festeja duas vezes o Dia do Pai, em Março como a mãezinha diz que se faz em Portugal, e em Novembro como é hábito aqui na Suécia.

Como vocês sabem a mãezinha, gosta muito de cozinhar, e em especial de preparar bolos e pão. A nossa cozinha é  o lugar mais quentinho da casa por causa do forno e do fogão  de onde estão sempre a sair bolos diferentes e que cheiram muito bem.  Enquanto a mãezinha cozinha ou escreve, nós sentamo-nos perto dela, dormimos sestas no parapeito da janela, ou deitamo-nos em cima dos livros que está ler.

Para o Dia do Pai pedimos à nossa mãe que nos ajudasse a escolher e preparar um bolo especial que se chama  Savarin em honra do senhor que escreveu o livro que a mãezinha às vezes nos lê antes de adormecermos.
Como nós  não gostamos de doces, pudemos   ensopar o bolo num xarope de whisky que  é a bebida favorita do nosso pai. (Os adultos humanos gostam de coisas muito estranhas!)
A receita é muito simples, e diferente dos bolos habituais, até leveda como os pães!! Nós temos umas mãozinhas muito pequenas, e precisámos de ajuda para misturar a massa, mas escolhemos e barrámos a forma sozinhos!

Se vão preparar uma grande festa para os vossos paizinhos e querem também fazer este bolo, usem pelo menos duas vezes esta receita. O bolo que fizemos  é pequenito porque é só para os nossos paizinhos. (Para nós a mãe preparou uma tacinha de chantilly sem açúcar.)

Para fazerem um bolo igualzinho ao nosso vão precisar de: 

  • 1 colher de sopa de icing sugar
  • 150 gramas de farinha
  • 60 gramas de manteiga
  • 1 dl de leite
  • 1 pitada de sal
  • 1 colher de chá (rasa) de fermento de padeiro seco
  • Raspa de uma laranja
  • 2 ovos

Para o xarope:

  • 120  gramas de açúcar
  • 1dl de água
  • 1dl de whisky

Para servir e decorar:

  • Chantilly ou creme de baunilha e fruta

Como fizemos:

Misturámos todos os ingredientes secos numa tigela. Enquanto a mãe aqueceu o leite e dissolveu o fermento num pouco de água entre o frio e o quente, (a mãezinha diz que se chama tépida), nós barrámos e polvilhámos a forma com farinha.
Noutra tigela misturámos o leite, os ovos, a raspa da laranja e o fermento dissolvido. Depois juntámos as duas misturas e batemos tudo muito bem. (A mãe bateu com uma colher de pau e nós segurámos na tigela.)
Tapámos a tigela e deixámos a massa levedar até estar duas vezes maior do que era ao princípio. Depois juntámos a manteiga amolecida e a mãezinha bateu tudo até a massa parecer mais ou menos como a massa de um bolo normal mas mais elástica.
Deitámos tudo na forma e a mãe colocou-a no forno que já estava muito quente (220ºC), o bolo demorou 25 minutos a ficar pronto. Para saber se já estava cozido, a mãe tirou o bolo do forno e nós espetámos uns palitos na massa, os palitos saíram limpinhos  e secos, o que quer dizer que o bolo estava pronto.
Depois a mãe deitou o xarope que fez levando ao lume o açúcar, a  água e o whisky, por cima do bolo ainda na forma e deixámos arrefecer. (A mãezinha manda dizer que podem usar sumo de laranja ou limão para fazer o xarope, ou outra bebida de que os vossos pais gostem.)
Quando o bolo ficou frio, tirámos o bolo da forma e decorámos com chantilly  e amoras e framboesas.
 
Esperamos que gostem e que passem um bom dia do pai! E se não puderem estar junto dos vossos paizinhos no domingo,  festejem também o dia  pensado neles.
 
Willow & Lestat