Natal

Arruma-se o Natal – Syllabub com glögg e a maravilhosa Mrs Beeton

A custo aceito que o Natal terminou. Em nossa casa não temos muitas decorações e por isso arrumar o Natal faz-se em minutos. A parte mais difícil é retirar as luzes que na Suécia muitas pessoas colocam nas janelas e que aquecem principalmente quem anda na rua ao frio. Sem elas o frio e a escuridão parecem ainda mais intensas e pesadas. Por aqui ainda temos  glögg e bolachinhas de especiarias, e foi com elas que fiz esta deliciosa e super rápida sobremesa. Como sabem o syllabub é uma sobremesa tradicional inglesa, criada no século XVI e que graças a Mrs Beeton muito em voga durante a época vitoriana.

Embora tenha morrido antes dos trinta anos, Mrs Beeton é ainda hoje considerada a rainha de todas as fadas do lar, o que seria de Martha Stewart ou da Nigella se esta senhora, autora do famoso Mrs Beeton’s Book of Household Management, não tivesse existido.

Esta enorme e completíssima obra contem não só receitas, como é um guia de gestão do lar para a dona de casa do século XIX. As receitas, como acontece nestes livros mais antigos, reflectem os gostos e ingredientes da época e a nós parecem-nos no mínimo estranhas. Para mim muito mais interessantes são os capítulos dedicados à gestão do lar,  que nos dão um retrato real da vida em família e sociedade vitoriana. Por já ter perdido os seus direitos de autor o livro pode ser lido online por exemplo aqui. (não sei se está completo ainda não o li todo.)

Há pouco tempo vi um documentário muitíssimo interessante de Sophie Dahl  – The Marvellous Mrs. Beeton e que podem ver na integra no you tube. Estou certa de que vão gostar.

E com tanta conversa, quase me esquecia da receita!

Usei glögg, doce de lingon e bolachas de especiarias, mas podem usar outras bebidas alcoólicas, de preferência previamente aquecidas e enriquecidas com canela ou outras especiarias, e outro doce e bolachas ao vosso gosto. Não pestanejem ou perdem as indicações :)

Ingredientes: (4 taças)

  • 4 colheres de sopa de doce de lingon
  • 1 dl de glögg
  • 3 dl de natas batidas
  • 1 dl de iogurte grego (mínimo 3% de gordura)
  • Bolachas de especiarias para decorar.

Preparação:

Coloquem um pouco de doce de lingon no fundo de cada taça. Misturem, sem bater, as natas e o iogurte, envolvam o glögg. Dividam o preparado pelas taças. Decorem com as bolachinhas e reservem no frigorífico até servir.

De volta a casa, imagens das férias e um Feliz Ano Novo

Depois de uma semana em Portugal, regressámos este fim-de-semana a casa. Os nossos meninos já nos perdoaram por de novo os termos deixado no Pethotel, e apesar do choque térmico e dos primeiros dias um pouco nostálgicos por me sentir tão longe da minha família, a nossa vida volta à normalidade.
Era minha intenção ter deixado uma mensagem de Bom Natal e Feliz Ano Novo tanto na Padaria como nos vários blogues amigos, tinha até pensado mostrar-vos um pouco da preparação do Natal na minha casa, carreguei com o laptop e a máquina manual, mas nenhum dos dois chegou a sair das malas, fica para o ano.
Desde dia 20 que não tocava num computador, estou desejosa de ver as vossas novidades!
Embora atrasados, aqui ficam os meus votos de um excelente 2012 e algumas fotografias das nossas férias. (Faltam-me ver as fotografias de duas máquinas, por isso este post ainda será editado.)
Este ano a minha sogra Evelyn também foi passar o Natal connosco. Para nós, e em especial para o meu viking é uma felicidade redobrada. Férias em Portugal, Sol, golfe em Dezembro, ser o menino mimado da minha família, e uns dias com a mãe só para ele.

Algumas imagens de um passeio por Almada: a visita indispensável ao mercado, e ao Café Central. Quando era pequena a minha mãe não me deixava comer pirâmides, e é certinho que não passo férias em Portugal sem devorar umas quantas, para disfarçar, desta vez pedi a versão ratinho.

O meu café favorito em Almada continua a ser a Páscoa, mas neste dia tínhamos vindo de Cacilhas aos Miradouros a andar, com o viking de mapa na mão a liderar a expedição, e para continuar a subida precisávamos de energia e uma cadeirinha.


O viking e a mãe foram sozinhos aos Jerónimos pela segunda vez, eu penso que esta visita é apenas uma desculpa para irem aos Pastéis de Belém, menos mal que nos trouxeram uma dúzia para o café.

Uma subida ao Cristo Rei, há vista mais bonita?

À medida que vão estando prontos os doces tomam o seu lugar na mesa de apoio. Aqui já podem ver alguns dos pratos que não faltam no Natal da minha família e as novidades trazidas pelos novos membros.
 - Broas de Mel e erva-doce
- Suspiros de amendoim da minha bisavó Narcisa
- Rolo de Maçapão, chocolate e frutos secos da Evelyn
- Prato de rissóis, croquetes e pastéis de bacalhau. (Não sei o que estavam a fazer nesta mesa, na véspera o viking tinha dito que gostava daqueles fritinhos em feitio de meia-lua. Foi o suficiente…)
-  Pastéis de Belém (já sabem como aqui chegaram)
-Tronco de Natal
- Toucinho do céu

Ainda por chegar à mesa:
 - Fillhós e coscorões (sempre feitos pela minha Tia e pela avó Bé.)
- Pão de rala
- Bavaroise de Caramelo (Doce cavalo -  a nossa sobremesa de dia 24)
- Bolo Rei
- Broas castelares

Depois de visitarmos parte da exposição do meu irmão no CCB, decidimos ir almoçar a Setúbal. O Magnus juntou à caldeirada, ao arroz de pato, e aos rissóis  mais um prato favorito.

De preto e de costas, eu e a minha sogra Evelyn.

No último dia aproveitámos o Sol com um passeio pelo parque da Paz. Agora só voltamos daqui a uns meses.

B&B cookies – mais bolachas para gente destemida por Heston Blumenthal

Bacon and Bananas (…) Can´t you just taste this in your mind´s mouth? The bacon´s powerful saltiness held back by the sweetness of the banana? Not in the least a bit sophisticated, but fun.

-       The flavor theasuarus – Nikki Segnit.

Aqui está a minha última sugestão de receitas de bolachas para este Natal. Uma combinação perfeita de texturas e sabores que resultam num presente ideal para gostos menos tradicionais. Embora não coma carne, admito que experimentei estas bolachas e são realmente deliciosas, a massa é leve e doce, e de vez em quando trincamos um pedacinho estaladiço e salgado de bacon, ou a textura das bananas secas, não se arrependerão de dar uma oportunidade a esta receita, vai surpreendê-los.

Retirei a receita do livro Heston Blumenthal at home

Algumas notas:

- A receita original indica que o bacon seja preparado no forno, eu parti o meu em pedacinhos pequenos, fritei-o numa frigideira, e depois de escorrido sequei-o com papel absorvente.

- Pessoalmente gostei imenso do sabor e textura das bananas secas e quando repetir a receita, vou dobrar a sua quantidade.

- Sobre o tamanho das bolachas, leiam por favor o post anterior.

Ingredientes: (20 bolachas de 40 gramas cada, ou 3 tabuleiros de bolachas de 15 a 20 gramas)

  • 40 gramas de bacon em fatias finas (aproximadamente 5 fatias)
  • 220 gramas de farinha de trigo
  • ½ colher de chá de bicarbonato de sódio
  • ½ colher de chá de fermento em pó
  • ½ colher de chá  de sal
  • 120 gramas de manteiga sem sal, fria e em cubinhos
  • 260 gramas de açúcar
  • 2 ovos
  • 60 gramas de bananas secas picadas muito grosseiramente

Preparação:

Aqueçam o forno a 190º.

Coloquem as fatias de bacon num tabuleiro forrado com papel vegetal e levem ao forno durante 10 minutos. Sequem-no com papel absorvente e quando estiver frio, partam-no em pedacinhos.

 Peneirem a farinha, bicarbonato de sódio, fermento em pó e sal, reservem.

Batam a manteiga com o açúcar até obterem um creme leve e fofo (aproximadamente 5 minutos).

Reduzam a velocidade da batedeira, acrescentem os ovos, batam até tudo estar bem incorporado.

Juntem a mistura da farinha e batam durante mais 3 a 5 minutos. Misturem o bacon e as bananas.

Coloquem bolinhas de massa (vejam este post) num tabuleiro forrado com papel vegetal.  (Distância de 10 cm entre cada bolacha)

Levem ao forno durante 8 a 10 minutos, ou até estarem douradas. Deixem as bolachas arrefecer antes de as guardar em latas ou frascos.

Bolachas de xarope dourado – Heston Blumenthal

Como muitos de vocês, também adoro preparar e oferecer presentes caseiros, e para isso nada melhor que rochedos, bombons e bolachinhas. A receita de hoje é de Heston Bluementhal, e embora eu seja suspeita, estas e as bolachas para gente destemida do mesmo chef que vou publicar amanhã, são provavelmente as melhores  bolachas que já saíram do meu forno. São de facto uma tentação, ricas, aromatizadas com baunilha e caramelo, estaladiças e com um interior “chewy”, garanto-vos sucesso absoluto desta receita que é muitíssimo mais rápida e fácil de fazer do que possam imaginar.

 

 

Algumas notas sobre a receita:

- Não sei se é fácil encontrar Golden Syrup em Portugal, podem substitui-lo por melaço ou mel

- A receita indica o uso de Vanilla  paste – pasta de baunilha, eu uso baunilha em pó (baunilha verdadeira e ecológica), podem claro substituir estes produtos por essência de baunilha ou até açúcar baunilhado.

- Segundo HB devemos usar o utensílio para fazer bolas de gelado, para formar  bolachas de 40 gramas cada. As bolachas com este peso são enormes. Experimentei 30 gramas e ainda têm um diâmetro de 10 cm. Penso que bolachas de 20 ou 15 gramas são o ideal. Eu levo as coisas a extremos e pesei todas as bolinhas, mas uma bolacha de 20 gramas equivale à quantidade de massa com o tamanho de uma noz.

Ingredientes: (40 bolachas de 40 gramas, metade da receita faz 3 tabuleiros de bolachas)

  • 440 gramas de farinha de trigo 
  • 5 gramas de bicarbonato de sódio
  • 5 gramas de fermento em pó
  • 5 gramas de sal
  • 230 gramas de manteiga sem sal, fria e em cubinhos
  • 520 gramas de açúcar
  • 2 ovos
  • 70 gramas de Xarope dourado, melaço ou mel
  • 15 gramas de pasta de baunilha (vejam nota acima)

Preparação:

Aqueçam o forno a 190º.

Peneirem a farinha, bicarbonato de sódio, fermento em pó e sal, reservem.

Batam a manteiga com o açúcar até obterem um creme leve e fofo (aproximadamente 5 minutos).

Reduzam a velocidade da batedeira, acrescentem os ovos, a baunilha e o xarope, batam até tudo estar bem incorporado.

Juntem a mistura da farinha e batam durante mais 3 a 5 minutos.

Coloquem bolinhas de massa (vejam nota acima) num tabuleiro forrado com papel vegetal.  (Distância de 10 cm entre cada bolacha)

Levem ao forno durante 8 a 10 minutos, ou até estarem douradas. Deixem as bolachas arrefecer antes de as guardar em latas ou frascos.