Refeições light

Na marmita esta semana – Tagliata de legumes e salmão com hortelã

Por ser tão simples, estive indecisa sobre se havia ou não de publicar esta receita, mas depois das fotografias tiradas, não resisti a mostrar-vos esta refeição tão leve e onde os legumes, que se cozinham literalmente em segundos, fazem as vezes da pasta.

Para que a marmita continue bonita e saborosa depois de congelada e reaquecida, é importante que não cozinhem demasiado os legumes nem o salmão.

E  antes de vos desejar um bom fim-de-semana, lembro que a nova edição do Convidei para Jantar, organizada pela Carla, está já  a decorrer. Que convidados passarão por nossas casas este mês?

A receita… (tempo total de preparação: 20 minutos)

Ingredientes: (2 marmitas tamanho viking)

  • 2 lombos ou postas de salmão
  • 1 courgette
  • 1 pimento amarelo
  • 1 cenoura grande
  • 1 fio de azeite
  • Sal e pimenta
  • Hortelã ou outras erva aromática de que gostem.
  • Sumo de limão

Preparação:

Aqueçam o grelhador

Com o descascador de legumes, cortem a cenoura e a courgette em tirinhas finas. Limpem e cortem o pimento também em tirinhas.

Enquanto o salmão grelha, cozinhem numa frigideira anti-aderente os legumes.

Comecem por aquecer a frigideira e cozinhar o pimento num fio de azeite. Quando o pimento estiver tenrinho e o salmão já pronto, deitem na frigideira a courgette e a cenoura. Temperem com sal e pimenta, e assim que notarem que os legumes estão a amolecer, retirem-nos do lume. (Não os cozinhem demasiado porque perdem a forma e ficam sem graça nenhuma.

Sirvam temperado com azeite e sumo de limão, decorado com hortelã.

Convidei para jantar – Ridley Scott

… if only you could see what I’ve seen with your eyes!

A quarta-edição do Convidei para jantar está até dia 16 a decorrer em casa da Pami que nos desafiou a partilhar a nossa mesa com um realizador de cinema. Por favor respeitem o pedido da Pami e não usem carne nas vossas receitas.

A escolha aqui  foi difícil, a verdade é que somos um casal de movie nerds com uma enorme colecção de filmes em casa e nunca perdemos a estreia da mais recente obra dos nossos realizadores favoritos, os bilhetes para o Dark Shadows já  estão comprados.

Para jantar convidámos o realizador de dois dos nosso filmes favoritos: Alien e Blade Runner. A chegar está também Prometheus, será  Noomi Rapace depois a nova Ripley?…

Nestes filmes a  atmosfera  escura e claustrofóbica contrasta com momento de luz e imensa beleza: A fuga desesperada de Zhora, as palavras finais de Roy. I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I’ve watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.

Ripley  no cryotube,  uma Branca de Neve perdida no espaço, nos seus sonhos monstros que Giger ajudou a criar… Final report of the commercial starship Nostromo, third officer reporting. I should reach the frontier in about six weeks. With a little luck, the network will pick me up. This is Ripley, last survivor of the Nostromo, signing off.

Para o jantar preparámos Couscous de Couve-flor com Pesto de Hortelã e Nozes. Esta refeição vegan não só é deliciosa e rápida de preparar, como muito saudável e equilibrada.

Ingredientes: (nas quantidades que desejarem)

  • Couve-flor
  • Nozes
  • Azeite
  • Sal e pimenta
  • Folhas frescas de hortelã ( manjericão também é uma boa alternativa)

Preparação:

Cortem a couve-flor em pedacinhos tão pequenos quanto possível. Levem-na ao lume numa frigideira com o mínimo de água para que coza levemente sem se desfazer. Escorram o excesso de água, temperem com sal e pimenta e reservem.

Num almofariz ou processador de alimentos, misturem a hortelã com as nozes e azeite de modo a criar um  molho, temperem a gosto.

Antes de servir misturem a couve-flor com o pesto, decorem com mais nozes e umas folhinhas de hortelã. Para uma versão não vegan, acompanhem com um pouco de queijo parmesão ralado.

Torsk com pimentos na marmita

Quando vivia em Portugal, lembro-me que trazer almocinho de casa para o trabalho, era sinónimo de pobreza ou pelo menos, algumas dificuldades financeiras. A recusa de se acompanhar o grupo de colegas ao restaurante da esquina para devorar o prato do dia em meia hora e voltar ao trabalho a tresandar a batatas fritas, era invariavelmente recebida como olhares de comiseração. Ela não vem? Não coitada, sabes como é…

Fora do país do fazer ver, sabia eu bem que o hábito da marmita nunca se havia perdido. Por que  motivo passaram os portugueses a preferir um panado comido de pé encostados ao balcão, a uma caixinha de comida caseira, é algo que nunca compreendi.

Há uns anos só quem se estivesse perfeitamente marimbando para o que era ou não socialmente aceite, tinha a coragem de levar a marmita de casa, hoje em dia,  marmitar está na moda. A mim cheira-me que em alguns casos esta é um tendência mais ditada por necessidades económicas do que por preocupações com o tipo de alimentação que fazemos, e que quando as vacas voltarem a engordar, a maioria dos marmiteiros vai voltar ao bitoque com ovo a cavalo…mas até ver…marmitemos. (Estarei errada? O que pensam? Pergunto-me por vezes se a imagem que tenho de Portugal corresponde ainda à realidade…)

 Convencer o  viking a levar almoço  para o trabalho não foi uma tarefa fácil, habituado a morar sozinho, tinha por hábito almoçar fora todos os dias e jantar em casa apenas umas wasa e fruta com chá. Com a minha chegada, o frigorífico encheu-se de legumes e produtos frescos, os tachos começaram a ser usados, e passou a haver refeições em casa e na marmita.

Eu nunca como mais do que fruta, iogurtes ou sopa ao almoço e portanto todas as marmitas que faço são para o viking que desde que começou a levar o almoço de casa até já perdeu peso! Já partilhei convosco algumas receitas que podem ser transformadas em marmitas, são sempre refeições leves mas que deixem o viking satisfeito.

Ao contrário de muitas pessoas que levam na marmita o jantar da véspera, eu cozinho especialmente para as marmitas,  em quantidades grandes que congelo já em doses, usando ingredientes e receitas que:

  •  congelem bem  (não sequem demasiado, não percam o sabor e consistência originais)
  • sejam baixos em hidratos de carbono simples (queremos uma refeição que nos dê energia, não sono)
  • cheirem bem e estejam apresentáveis depois de aquecidas

Este peixe com pimentos é tão tão delicioso e aromático que o viking não resistiu e me pediu este domingo para comer a marmita em casa ao jantar. (Duas doses da marmita não chegaram a ver o interior de uma caixa) Uso torsk ou cod certificado pelo MCS, (da família do bacalhau, m sem ser salgado), mas podem preparar a receita com outros peixes do mesmo tipo.

Ingredientes  (3 marmitas tamanho viking)

  • Lombos de peixe
  • 1 pimento vermelho
  • 1 dente de alho
  • 2 bolbos de funcho
  • 2 caixas de tomates cereja
  • 2 pimentos amarelos
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • Sal e pimenta

 Preparação:

Coloquem o funcho partido em pedaços num tabuleiro, temperem-no levemente com sal, salpiquem com azeite e levem ao forno aquecido a 150ºC. Passados 10 minutos acrescentem os pimentos amarelos.

No processador de alimentos piquem o alho com o pimento vermelho, sal, pimenta e o restante azeite.

Quando os legumes estiverem quase tenros, retirem o tabuleiro do forno, juntem os tomatinhos e agitem bem para que todos os ingredientes estejam misturados. Ao centro do tabuleiro abram uma pequena área para colocarem os lombos de peixe, previamente temperados com sal e pimenta. Cubram os lombos de peixe com o puré de pimento vermelho. Levem o tabuleiro ao forno (180ºC), até o peixe atingir uma temperatura de 45ºC, o que no meu forno e com o tamanho dos lombos de torsk demorou pouco mais do que 10 minutos. Tenham cuidado para não deixar o peixe cozinhar demais, não se esqueçam que ao aquecê-lo no micro ondas vais secar um pouco mais.

Salmão perfeito e um mês repleto de celebrações

Dezembro é para nós um mês muitas celebrações. Para além do Natal e do dia de Sankta Lucia, este mês marca também a data em que  o viking e eu nos encontrámos pela primeira vez frente a frente, o dia em  que ficámos noivos, e o do nosso casamento.Festejar o nosso aniversário de casamento na data exacta foi uma coisa que desistimos de fazer. Já passámos o dia a fazer malas ou a viajar, e pior ainda presos em aeroportos e hotéis por causa do mau tempo com as malas e a roupinha sexy, comprada especialmente para a ocasião, perdidas algures en route.

É portanto pelo menos um mês mais tarde que nos sentamos à mesa, abrimos uma garrafa de vinho especial, e partilhamos a refeição que servimos no dia em que eu passei a ser Mrs Dahlberg.

Num acto de loucura eu decidi fazer as vezes de empresa de catering, pasteleira e noiva, o que não aconselho a ninguém, mas para alturas em que tenham muitos convidados esta receita de salmão é uma excelente opção.

Um prato que se prepara e cozinha facilmente, não necessita de ser servido com faca, e por isso é óptimo para refeições volantes, é relativamente económico e ao mesmo tempo diferente e requintado.

A cobertura estaladiça do salmão é semelhante à que usamos para o Fiambre de Natal na Suécia, e acrescenta ao peixe uma deliciosa textura rica e crocante.

Algumas sugestões para o sucesso desta receita:

  • Com muitos convidados, recomendo que façam como eu,  comprem metades de salmão sem pele nem espinhas, em vez de pequenos lombos ou postas. Calculem entre 100 e 200 gramas de peixe por pessoa.
  • O modo e temperatura a que cozinhamos o peixe são importantes. É a diferença entre um peixe macio e suculento, e um pedaço de salmão sem cor, seco e fibroso.
  • A melhor forma de controlar a temperatura do salmão é usando um termómetro para comida. Eu tenho este e este. O segundo é mais simples de usar porque nos avisa quando o peixe atingiu a temperatura desejada.  Com o primeiro temos de ir tirando o peixe do forno e medindo a sua temperatura, mas é um termómetro muito mais versátil que pode ser utilizado até para medir pontos de açúcar. (Se não têm termómetro, sigam as indicações da receita que  embora não sendo tão exactas, resultam também bastante bem.)
  • Tradicionalmente, e por motivos de segurança alimentar, diz-se que o peixe está cozinhado quando atinge a temperatura de 63ºC. No entanto a esta temperatura o salmão perdeu já o seu aspecto rosadinho e todo o sabor.
  • Heston Blumenthal recomenda que cozinhemos o peixe até atingir uma temperatura de 45ºC a 50ºC.É o que faço, as fotografias mostram salmão cozinhado a 47ºC, e como podem ver está lindo!
  • Como sempre quando servimos peixe cru como em crudo, ceviche ou sashimi, ou peixe que não está cozinhado até aos 63ºC, é essencial que por motivos de segurança alimentar, congelem o peixe durante três dias antes de o preparar. (Mais informação aqui.)

Indico ingredientes para 1 metade de salmão, se usarem uma porção mais pequena como o lombo das fotografias que preparei apenas para nós os dois, ¼ dos ingredientes é o suficiente.

Na nossa opinião o peixe é delicioso e não precisa de qualquer molho, mas podem acompanhar também com umas colheres de sourcream batido com limão. Maionese ou outros molhos demasiado gordos não aconselho porque a textura e sabor do salmão são suficientemente ricas.

Ingredientes:

  • 1 metade de salmão, limpa de pele e espinhas e bem seca com papel absorvente.
  • Sal e pimenta
  • 2 dl de mostarda sueca Grov Senap ou mostarda à antiga
  • 2 ovos
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 2 dl de pão ralado
  • Azeite
  • Salsa, limão e chili fresco para decorar
  • Batatas cozidas salteadas em manteiga e limão para acompanhar

Preparação:

Aqueçam o forno a 250ºC.

Coloquem o salmão numa travessa que possa ir ao forno e à mesa, levemente untada com um fio de azeite.

Temperem o salmão com sal e pimenta.

Misturem todos os ingredientes para a cobertura crocante e barrem com ela o salmão.

Assem o salmão até que este atinja a temperatura ideal, ou durante 10 a 15 minutos, dependendo da altura do lombo. Podem verificar se o salmão está pronto, inserindo uma faca na parte mais alta do peixe durante 5 segundos. Ao tocarem os lábios com a faca, devem-na sentir quente.

Decorem o salmão com salsa e chili fresco. Sirvam quente, morno, ou até frio, acompanhado de batatas e salada.