bebidas · bolos e sobremesas

Beeramisu made in Portugal

Lembrar-se-ão certamente de Chris Badenoch o  irreverente, apaixonado por cerveja e defensor do “nose to tail eating” participante da primeira temporada do Masterchef Australia. Das muitas receitas fantásticas que conheci através deste programa, o Beeramisu, um Tiramisu enriquecido com cerveja de chocolate, criado por Chris Badenoch, foi uma das melhores, mais originais e surpreendentes que experimentei até agora.

 

 Embora a lista de ingredientes possa fazer transparecer uma sobremesa rica e pesada, o resultado final é uma combinação perfeita dos vários aromas e sabores deste doce. Primeiro o licor de amêndoa amarga, a riqueza do mascarpone, o leve tom ácido das framboesas, a textura dos biscoitos e das raspinhas de chocolate, tudo a terminar no último prazer, quando já estamos prontos a devorar outra colherada, a cerveja de chocolate.

Para fazer companhia à cerveja de chocolate da nossa Sagres que conheci através da Mané, escolhi usar em vez de Amaretto, o nosso licor de amêndoa amarga. (a receita foi bastante alterada por mim)

Ingredientes: (alimenta 6 gulosos)

  • 1 garrafa de cerveja de chocolate (usei da Marca Sagres)
  • 2 colheres de sopa de licor de amêndoa amarga
  • 2 ovos
  • 4 colheres de sopa de açúcar
  • 2 dl de natas
  • 200 gramas de mascarpone
  • Biscoitos  savoiardi –  depende das camadas. (para metade da receita usei um pacote)
  • Framboesas e chocolate para decorar.

 Preparação:

Batam as claras com 2 colheres de açúcar, até estarem em castelo, reservem. Batam as natas em chantilly, reservem. Batam (desculpem a repetição) as gemas com o restante açúcar até o creme duplicar de volume. Sem bater, misturem as gemas com o queijo e o licor de amêndoa amarga. A este preparado juntem, envolvendo cuidadosamente, as natas e as claras.

No recipiente onde vão servir a sobremesa, alterem camadas deste creme e dos biscoitos humedecidos na cerveja de chocolate. Terminem decorando um chocolate amargo ralado e framboesas.

livros · refeições rápidas · saladas

Salada perfumada de cuscuz e um livro para o fim-de-semana

 Uma forma simples e deliciosa de preparar cuscuz, um alimento de origem africana hoje popular nas cozinhas de quase todo o  mundo. Acompanhando carne, peixe ou vegetais, rico em especiarias, temperos, servido com prato principal ou sobremesa, raro deve ser o sabor que estas bolinhas douradas não estão prontas a absorver. A Portugal pensa-se que tenha chegado no reinado de D. Manuel I, mesmo a tempo de beneficiar das especiarias que nessa altura enriqueciam o país e o paladar dos portugueses.

A propósito de especiarias, deixo hoje a sugestão de um livro que estou a ler e do qual estou a gostar imenso: The Taste of Conquest: The Rise and Fall of the Three Great Cities of Spice de Michael Krondl. Uma viagem pela história e a vida actual de três cidades relacionadas com o comércio de especiarias: Veneza, Lisboa e Amesterdão.

E sem mais demoras a receita de hoje:

Ingredientes: (2 pessoas)

  • 300 gramas de legumes a vosso gosto (usei uma mistura de cenouras, cebolas, cogumelos, milho bebé e feijão verde redondinho)
  •  2 colheres de sopa de azeite (podem usar menos)
  •  1 colher de chá de sumac
  •  1 pitada de canela
  •  Sal e pimenta q.b.
  • 1 dl de cuscuz
  •  1 dl de água
  •  Raspa de 1 limão

 Preparação:

A marca de cuscuz que uso indica que se deve usar uma medida de água para a mesma quantidade de cuscuz, mas é sempre aconselhável verificarem o que diz a vossa embalagem antes de começarem a receita. O cuscuz não precisa de ser cozinhado e está pronto em cinco minutos, por isso preparem-no mesmo antes de comer. Eu costumo preparar o meu directamente no prato ou tigelinha de servir.

Numa frigideira cozinhem os vegetais num pouco de azeite, não os deixem ficar demasiado moles! Temperem a gosto, mas lembrem-se que é com esta preparação que vão também dar gosto ao cuscuz.  Acrescentem a medida de água e deixem levantar fervura.

Deitem o preparado sobre o cuscuz, com água e tudo, mexam rapidamente e tapem. Deixem descansar 5 minutos. Polvilhem com raspa de limão antes servir.

 

Cremes, molhos, gelados e mousses

Semifreddo de chocolate e ginjinha – a história de uma segunda oportunidade

Até há pouco tempo nunca tinha feito semifreddo. De alguma forma lembrava-me a minha ex-sogra, rainha das sobremesas pré-fabricadas que, com tortas de chocolate Dancake, caramelo líquido de frasco e uma mistura de pudins em pó e outros produtos de proveniência duvidosa, costumava fazer um semifreddo duro como um bloco de gelo, e a saber a plástico. Depois de ter visto a chef Leila Lindholm preparar um maravilhoso semiffredo mármore, decidi que era altura de dar a esta mousse gelada uma segunda oportunidade.

Encontrei uma receita base para semiffredo no livro Desserter e desde a primeira tentativa que não posso estar mais contente com os resultados. Há semanas que ando a experimentar várias combinações de sabores e até agora esta é uma das nossas favoritas. A receita que vos indico faz dois litros de semifreddo. Esta sobremesa faz-se muito facilmente e não falha,  é ideal para quando temos visitas e precisamos de preparar a sobremesa de véspera. Pode ser servida em taças ou fatias.

Ingredientes:

  • 5 ovos separados
  • 5 dl de natas (35% de gordura, não garanto um semifreddo cremoso se usarem natas magras)
  • 150 gramas de açúcar
  • 0,5 dl de ginjinha
  • 1 dl de geleia de cerejas
  • 3 colheres de sopa de cacau em pó
  • 1 pitada de sal

Preparação:

Se querem servir o semifreddo em fatias, passem uma forma de bolo inglês  por água e forrem-na com película aderente.

A forma mais simples e rápida de preparar esta receita é usando 3 tigelas e começando por bater as claras, o que evita que tenhamos de lavar as pás da batedeira. 🙂

Batam as claras até estarem quase em castelo, aos poucos e sem parar de bater, até conseguirem a consistência de um merengue, juntem metade do açúcar.

Na segunda tigela batam as natas em chantilly, eu não acrescento icing sugar, mas fica ao vosso critério.

Na terceira tigela batam as gemas com o restante açúcar, o sal e o cacau em pó, até o preparado duplicar de volume, acrescentem a ginjinha.

Com cuidado envolvam os três preparados, primeiro as gemas com as natas, e finalmente as claras. Quando o preparado estiver homogéneo, mas ainda leve e cheio de ar, envolvam, mexendo o menos possível, a geleia de cerejas. (Eu uso geleia de cerejas com os frutos inteiros que fiz usando açúcar com pectina.)

Deitem o preparado na forma e levem ao congelador durante pelo menos 4 horas.

Bread Baking Day · pão, sourdough

Celebrar o Dia Mundial do Pão com uma receita especial – Challah/ Celebrating World Bread day with a special recipe – Challah

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 Para este evento promovido mais uma vez pela Zorra, escolhi uma receita cheia de simbolismo e tradição. Challah que em hebraico significa “oferta de massa”, é um tipo de pão, geralmente entrançado, que se come, na tradição judaica, durante o “Sabbath” e outras celebrações. As três tiras da trança representam a Verdade, Paz e Justiça. Para o Ano Novo Judaico, dá-se a este pão uma forma circular, simbolizando um processo de continuidade, uma vez que a trança deixa de ter um início e fim. Frequentemente decora-se o pão com sementes de sésamo para representar o Manna que caiu do céu.

 

 

Fiz apenas 1/3 da receita que vos indico, e consegui um pãozinho com menos de meio quilo. Estou arrependida. Gostámos bastante do sabor e leveza do pão, ideal para se cortar em fatias, congelar e servir ao pequeno-almoço. Preparei a massa na batedeira, mas podem também amassar à mão. A receita foi adaptada do livro Baking Artisan Bread: 10 Expert Formulas for Baking Better Bread at Home  

Para fazer este pão é necessário que preparem uma pré fermentação a que se chama sponge/esponja. Não se assustem os mais novatos, a receita não tem nada que enganar e garanto que vão adorar os resultados.

Ingredientes:

Esponja:

  • 172 gramas da farinha de trigo (de preferência, mas não obrigatoriamente farinha especial para pão)
  • 110 gramas de água
  • 11 gramas de fermento de padeiro seco

Massa final:

  • 580 gramas de farinha  de trigo
  • 78 gramas de açúcar
  • 2 colheres de chá de sal
  • 4 ovos
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 2 colheres de sopa de óleo vegetal
  • 2 colheres de sopa de água
  • Esponja que prepararam previamente
  • Sementes de sésamo ou poppy seeds para decorar.

Preparação:

Começamos com a esponja.

Numa tigela misturem bem os três ingredientes. Cubram o recipiente com película aderente e deixem a massa fermentar durante 30 minutos.

Passado este tempo, misturem todos os ingredientes da massa final numa tigela grande, reservando um pouco dos ovos para mais tarde pincelar os vossos pães.

Usando a pá de gancho da vossa batedeira, amassem a massa a baixa velocidade durante oito minutos, aumentem a velocidade para média e continuem durante mais oito minutos. Com a batedeira ou amassado à mão, devem conseguir uma massa homogénea e elástica.

Passem a massa para uma tigela ligeiramente untada com óleo, cubram com película aderente ou um pano limpo, e deixem fermentar durante 1 hora e 15 minutos, ou até duplicar de volume. (A minha cozinha, como ainda não temos o aquecimento central ligado, está um pouco fria, 20ºC. Passado meia hora a massa ainda se mantinha do mesmo tamanho, por isso para lhe dar um empurrãozinho, coloquei-a no forno desligado com um saco de água quente.)

Escolham que forma querem dar à vossa Challah. Podem fazer tranças com 3 ou 5 tiras, ou uma espiral. Se fizerem a receita toda têm massa suficiente para duas Challah grandes. Pesem e dividam a massa em quantas partes precisarem. (Para 1/3 da receita, dividi a massa em 3 partes de 150 gramas cada.)

Formem discos com a massa e deixem repousar mais 20 minutos. Achatem os discos, enrolem-nos e estiquem-nos até terem o tamanho que desejam para a vossa trança. Num tabuleiro forrado com papel vegetal façam a trança, eu enrolei também a minha, escondendo as pontas.

Borrifem o pão com água e deixem-no descansar durante 75 minutos. A Challah deve voltar a duplicar de tamanho.

Aqueçam o forno a 180ºC, ou 165 ºC se tiverem um forno com circulação forçada de ar quente.

Pintem a Challah com o restinho de ovo que reservaram e salpiquem-na com sementes de sésamo ou poppy seeds.

Cozam durante 20 a 30 minutos, dependendo do tamanho do pão, o meu demorou apenas 20 minutos. Se notarem que a Challah está a escurecer muito durante a cozedura, baixem um pouco a temperatura do forno, ou cubram o pão com um pouco de papel vegetal.

Celebrating World Bread day with a special recipe –  Challah

 Egg-enriched Challah (meaning “dough offering” in Hebrew) is usually a braided loaf. Braided Challah is the traditional Jewish holiday and Sabbath bread: the three strands symbolize truth, peace, and justice. A circular loaf is baked for the Jewish New Year, or Rosh Hashanah, and its round shape symbolizes continuity because it has no beginning and no end. Often Challah is studded with sesame or poppy seeds, which signify the manna that fell| from heaven.

 Recipe  from Baking Artisan Bread: 10 Expert Formulas for Baking Better Bread at Home  

Ingredients:

 Sponge:

  • Bread flour 172g/ 1 1/3 cups
  • Water 110 g/ ½ cup
  • Instant yeast 11 g/  Scant 4tsp

Final dough:

  • Bread flour 580g/ 2 2/3 cups
  • Sugar 78 g/ 1/3 cup
  • Salt 14 g / 2 tsp
  • Honey 48g / 2tbsp
  • Water 30 g /2 tbsp
  • Eggs 200 g / 4 eggs
  • Vegetable oil 64g / 2 tbsp
  • Sponge all of it.
  • Sesame or poppy seeds

Method:

Prepare the sponge about 30 minutes before mixing the final dough. Combine the ingredients in the bowl of a stand mixer, mix together on low speed until incorporated, and cover the mixing bowl with plastic wrap.

In a stand mixer with a dough hook, combine all ingredients and mix on low speed for about 8 minutes. Increase to a medium speed and mix for an additional 8 minutes.

Place the dough in a proofing container coated with nonstick cooking spray.

Cover with a lid or plastic wrap and let the dough rest at room temperature for 1¼ hours or until it doubles in size.

Using a scale and dough divider, divide the dough evenly into units.

Weights will depend on the number of strands the braid will have: 110 grams (3.3 ounces) for a 3-strand braid, 115 grams (4 ounces) for a 5- strand braid.

Using your hands, shape the units into rounds. Cover them lightly with plastic wrap and let them rest for about 20 minutes. After resting, roll the rounds into 12-to 18-inch (30 to 46 cm) strands. The strands should be slightly thicker in the middle and tapered at the ends. If the dough feels a bit dry, do not hesitate to spray it with water from a spray bottle. Braid  you 3 or 5 strand challah.

Place the breads onto a parchment-lined sheet pan. Spray each braid with a light mist of water and cover with plastic wrap. Let proof at room temperature for 60 to 75 minutes. The braided loaf should double before baking.

Preheat the oven to 350°F (180°C, gas mark 4) about 30 minutes before baking. If there is a convection mode, use it at 330°F (165°C, gas mark 3).

Brush the top of the braid with egg wash, and sprinkle with poppy or sesame seeds if desired.

Place the sheet pan with the challah in the oven and bake. The time will vary depending on the size of the braid; larger units will need at least 30 minutes of baking, and smaller units will need at least 20 minutes. If the dough seems to be browning too quickly, reduce the oven temperature by 20°F (11°C).