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Ris à la Malta – A sobremesa da ceia de Natal na Suécia

A nós parece-nos estranho, mas de facto na Suécia, costuma servir-se apenas uma sobremesa na ceia de Natal. Ao contrário de Portugal onde tanto quanto sei apenas  se come  polvo ou bacalhau cozido ao jantar de dia vinte e quatro, os suecos devoram um imenso buffet de  pratos salgados a que chamam “Julbord” ou  “mesa de Natal” o que os deixa com pouco “espaço” para os doces. Acerca da Julbord falarei noutros posts ao longo deste mês, hoje começamos com a sobremesa.

Dependendo das tradições familiares e locais a sobremesa de Natal costuma ser Risgrynsgröt, uma papa de arroz  cozido em leite com canela e manteiga que eu detesto, ou Ris à la Malta, a versão sueca do  dinamarquês a ris la mande, ris à l’amande ou risalamande.

Nestas sobremesas costumava-se esconder uma amêndoa que traria boa sorte, um brinde ou um casamento para a pessoa que a encontrasse. Era também hábito deixar um prato de deste doce servido durante a noite de Natal para que os gnomos comerem.

O ris à la Malta, a receita que vos deixo hoje, teve origem no francês riz à l’almande (arroz com amêndoas) que os dinamarqueses adaptaram a risalmande e os suecos, especialistas como sabem em deturpar o significado de palavras ou expressões, transformaram em  Ris à la Malta.

É um doce leve e facílimo de fazer que se serve geralmente acompanhado de doce de cerejas. Se usarem natas magras e tiverem mão leve na adição de icing sugar, esta pode talvez ser uma boa alternativa light para o nosso arroz doce.

Ingredientes para 4 pessoas. (Imagino que a receita alimente um número muito maior de gnomos.)

  • 1 ½ dl de arroz de grão longo (eu uso basmatti 🙂 )
  • 2 dl de natas
  • 1 a 2 colheres de sopa de icing sugar (mais se forem muito gulosos)
  • Baunilha em vagem ou extracto de baunilha a gosto
  • 1 amêndoa
  • Doce de cereja

Preparação:

Cozam o arroz em bastante água como se estivessem a fazer arroz branco. Depois de cozido, lavem o arroz com bastante água fria, escorram-no muito bem e deixem arrefecer.

Entretanto batam as natas em chantilly, adocem-nas e aromatizem-nas com baunilha. Quando o arroz estiver completamente frio misturem-no levemente com o chantilly e a amêndoa. Guardem no frigorífico até à altura de servir acompanhado com doce de cerejas. Na casa do meu sogro o doce de cereja é servido quente, penso que não é a forma tradicional, mas o contraste entre os baguinhos e chantilly quase gelados, e o doce rico e quente, tornam esta sobremesa ainda mais deliciosa.