Ana - cozinheira

A cozinha do Stortoget e algumas fotografias do serviço

A cozinha do Stortoget e algumas fotografias do serviço

Como vos tinha prometido, aqui estão algumas fotografias da pequena cozinha do Stortorget onde tenho trabalhado ultimamente e do serviço de ontem. Hoje um post muito curtinho (para variar), ontem magoei o meu braço direito e custa-me estar a teclar, como vou trabalhar esta noite, nem sei…
Quero responder aos vossos comentários, fiquei maravilhada por tantas de vocês terem uma mãe como a minha, ou até um avô que não larga a sua tablet, mas fica para o fim-de-semana. (estou livre até quarta-feira! Agora é que vai ser um virote de filmes e o forno sempre ligado cá em casa)

A pequena cozinha, temos outra área à direita.
A pequena cozinha, temos outra área à direita.

O prato principal do grupo de ontem, muito simples,  mas foram os cleintes que escolheram… Carne assada, legumes, molho de pimenta, bolos de batata, (estes bolos de batata säo uma delicia, tenho de partilhar a receita!)

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A sobremesa do grupo, podem ler a receita aqui.

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Mise em place para o  jantar:

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A receita que publiquei ontem e que também servi aos nossos clientes que comeram o menu à lá carte.

6indexLembro que podem deixar sugestões de posts ou pedidos de receitas na “caixa de sugestões” ou no facebook, pm,….
A primeira das vossas sugestões/questões é publicada já nos próximos dias e é uma receita sue-ca!
Bom fim-de-semana para todos, queridos leitores, volto amanhã!

Ana - cozinheira · bolos e sobremesas · Cremes, molhos, gelados e mousses

Sem rei nem rumo e a sobremesa perdida

Não sei se se recordam de vos ter falado de uma sobremesa que eu tinha feito para um grande banquete, e de recear que nenhum dos chefs que efectivamente serviram a comida se lembrar de tirar uma fotografia, o que está claro aconteceu.
Ontem, andava eu a organizar um congelador no Stortorget quando me deparei com a bavaroise de chocolate e o sorbet de morango que tinha feito há umas semanas.

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E já se está mesmo a ver que coloquei uma porção da sobremesa numa caixinha e trouxe-a para casa para vos poder mostrar. (Trazer a refeição que pagamos automaticamente por trabalhar no hotel é um hábito entre chefs porque nunca temos tempo, nem nos apetece comer durante o trabalho, eu costumo trazer uma salada, ontem, para ser mais saudável, uma sobremesa.)

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Esta noite trabalho no Stortogert e sirvo sozinha um jantar para trinta e quatro pessoas, prato principal e sobremesa, mais opção vegetariana e alergias, enquanto faço o serviço à lá carte.
Ao mesmo tempo tenho de preparar o jantar para quarenta maçons e enviar tudo para a loja deles até às sete. Serviço começa às seis, o grupo senta-se às sete.
No Kramer trabalham dois chefs para servir um grupo de vinte e quatro e o à lá carte. Não sei o que se anda a passar na cabeça do HC, mas a esta altura do campeonato nem vale a pena pensar muito nisso ou tentar falar com ele, porque nada nunca é resolvido ou organizado.

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Embora o meu turno só comece às quatro, vou (sem registar as minhas horas) começar às duas porque para ser sincera tenho medo de não ter tempo de fazer a preparação toda e a mise en place do à lá carte em duas horas. (É claro que não tenho tempo, o HC não encomendou a comida a horas e eu tive de o fazer ontem, pelo que os ingredientes para o jantar desta noite só chegaram hoje de manhã.)
Eu sei que todas as carreiras têm os seus contras e exigências e eu tenho a sorte de ter um emprego do qual gosto muito, mas trabalhar assim, sem nenhuma orientação, sem sabermos o que andamos a fazer…..
(Desculpem os meus contantes desabafos, passem por cima, sigam para a receita que é bem mais agradável.)
Por hoje deixo-vos apenas com a receita da bavaroise. O chocolate cristalizado e a mousse seca, vao ter direito a vídeo!! E quero fazer um posr só sobre sorbets mais tarde.

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Estou livre este fim de semana inteirinho e já sei que vou passar os dias a fazer vídeos. (O viking está com gripe, por isso até é bom eu me esconder na cozinha e evitar o “Aiiiii amor… ai…. Estou tão doente….traz-me chá… apetece-me uma torradinha…”

Bavaroise de chocolate escuro

Ingredientes:
2,5 dl de leite
75 gramas de açúcar
150 g de chocolate 70% picado finamente
6 folhas de gelatina
3 gemas
5 dl de natas

Preparação:
Batam as gemas com o açúcar até obterem um creme esbranquiçado e espesso. Aqueçam o leite e o chocolate. Coloquem as folhas de gelatina a demolhar em água fria. Sem parar de mexer deitem o leite morno sobre a mistura de gemas e açúcar. Levem ao lume mexendo sempre até engrossar um pouco. (Para ver se o creme está pronto passem o dedo nas costas da vossa colher de pau, se conseguirem uma pequena “estrada”, o creme está cozido, se estão a usar um termómetro este deve marcar 80ºC)
Retirem rapidamente do lume, deixem arrefecer um pouco antes de juntar as folhas de gelati-na bem escorridas. Mexam até dissolver bem. Passem o preparado por um passador de rede e deixem arrefecer. Envolvam cuidadosamente as natas batidas no creme. Coloquem-no em tigelas para servir e levem ao congelador durante uma hora, passado este tempo podem guar-dar o vosso creme no frigorífico até ao momento de servir. Se querem fatias fininhas e direitas, congelem a bavaroise e cortem-na com uma faca quente.

entradas · Peixe · refeições rápidas · vegetais e outros acompanhamentos

Skype, tecnofobia, cubo mágico e torta de ervilhas

A minha mãe, de quem vos falei há uns anos no post sobre uma história de terror (mãe, carrega em história de terror, está a azul, é uma ligação para outra página.), descobriu este domingo e via skype que eu tenho um sítio online onde escarrapacho a minha vida.
Será que eu em cinco anos, e vá dando o desconto do tempo em que a padaria esteve fechada, nunca lhe disse que tinha um blogue? Duvido.
A conversa foi a seguinte:
Mãe – Então estás muito cansada? Pareces cansada…tens uma borbulha no nariz já viste? ( como se não tivesse espelhos em casa…) Tens trabalhado muito? Como vai o restaurante? Trabalhaste ontem? O teu rapaz? Estás a descansar? O que estás a fazer?
Eu- Se lesses o meu blogue sabias tudo….
Mãe- E onde é que eu leio isso?
Eu- Chama o pai….

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A minha mãe sempre foi um pouco tecnofóbica. Bem, para vos ser honesta, não sei se é tecnofobia se a grande dificuldade que tem em admitir que não sabe fazer tudo e que há coisas que alguém tem de lhe ensinar. Talvez seja apenas avessa a coisas novas.

Explico-vos. A minha mana e eu fomos as últimas miúdas a ter um cubo mágico, e foi o nosso pai que o comprou num sábado de manhã de compras na baixa, (na casa da borracha ou dos pneus, não me lembro o nome). A mãe claro foi contra, irritava-se com o som do cubo, e num dia que a minha mana e eu lutávamos pelo objecto, abriu a janela e atirou-o borda fora.

Eu fui com o meu pai (que tem uma paciência de Jó) na manhã seguinte desencantar o cubinho plantado entre as alfaces de uma hortinha que um vizinho tinha por essa altura nas nossas traseiras.

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Até ao momento em que, penso que para nos provar o quão fácil era completar o quebra-cabeças, pegou no cubo. A minha mãe que em termos de teimosia/determinação é cem vezes pior do que eu, já não o largou. A minha mana e eu fomos proibidas de tocar no brinquedo, a minha mãe comprou um livro para aprender a resolver o cubo e passava todos os momentos livres agarrada a ele.
Noite após noite, adormecíamos com o som do qqqrrrr qqqqrrrr vindo do quarto dos meus pais, a minha mãe, na cama, de livro e lápis na mesa de cabeceira, cubo nas mãos.
Acordámos uma vez com os seus gritos “Consegui, consegui!”.
O cubo foi posto na estante, um monumento à enorme tenacidade da minha mãe, o Oscar da sua determinação.

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A minha mãe não parece muito entusiasmada com o facto de eu partilhar a minha vida com os meus leitores, tal como foi contra a minha mudança de carreira, imagino que também não goste de blogues, mas se bem a conheço isto não vai durar.
Daqui a pouco tem um blogue maior do que o meu, vai começar a acordar às seis da manhã para ter tempo de cozinhar e fotografar com boa luz. Mais ninguém terá acesso ao computador, e ninguém poderá tocar na comida antes das fotografias serem aprovadas.

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Domingo, enquanto conversávamos, tinha eu esta torta no forno. Gosto imenso de comer salmão com ervilhas, e ando a imaginar formas e receitas diferentes com esta combinação, esta é apenas a primeira.
Esta torta é leve e macia, e pode ser servida como uma entrada fria, ou prato principal acompanhada de mais ervilhas e um pouco de queijo fresco e óleo de endro ou menta.

Torta de ervilhas com salmão fumado e queijo creme

Ingredientes: (4 porções)
Torta:
100 gramas de ervilhas congeladas
3 ovos
50 gramas de farinha
4 colheres de sopa de água
S&P

Recheio:
Salmão fumado
Queijo creme

Para acompanhar
Ervilhas
Queijo creme
Óleo de endro ou menta

Preparação:
Aqueçam o forno a 150°C. Forrem um tabuleiro com papel vegetal e barrem-no com manteiga.
Cozam as ervilhas em água com sal. Escorram-nas e coloquem-nas em água gelada para manterem a cor. Triturem as ervilhas com a água e as gemas. Misurem a farinha peneirada e as claras batidas em castelo. Temperem com sal e pimenta. Coloquem o preparado no taubuleiro, alisem e levem ao forno durante aproximadamente 15 minutos, verifiquem se a torta está pronta com um palito, como se fosse um bolo normal.
Retirem a torta do forno. Eu costumo enrolar a torta imediatamente sem recheio, deixar arrefecer e depois cuidadosamente desenrolo a torta, coloco o recheio e volto a enrolar.
Sirvam com ervilhas e queijo creme.

Ana - cozinheira · cremes, dips, snacks e molhos salgados · pão, sourdough · Uncategorized · vegetariano

O desbalçando de sábado e uma das entradas que servimos

Antes de começar, relembro que estão a decorrer os passatempos convidei para jantar e vida de blogger, vejam as datas limite na barra à direita.
Poderá haver um sábado mais complicado do que o jantar dos maçons de que vos falei há umas semanas?
Sim. Mais difícil do que um banquete de três pratos para 150 pessoas no edifício dos maçons, é um buffet para 80 directores do grupo scandic que em vez de fazerem a sua festa num hotel com uma cozinha em condições, decidiram alugar a sala de festas da loja maçónica e obrigar-nos a trabalhar numa cozinha minúscula e sem condições.

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