Ana - cozinheira

De novo tempo para mudanças – as minhas grandes novidades.

Se bem se lembram, há mais de um ano que trabalho exclusivamente durante o turno da noite e desde de Maio que tomo sozinha conta da cozinha no Stortorget. Em Setembro falei com o HC e a directora do hotel e pedi-lhes para  começarem a alternar os turnos entre mim e a minha colega que só trabalha de segunda a sexta-feira entre as 7 am e a 3 pm. Eu  alanco com a noite, todas as sextas-feiras e dois sábados por mês até    que horas.

Bem expliquei que estava exausta, que não podia nem física nem mentalmente acordar cedo, passar a manhã ao telefone com fornecedores, e fazer as encomendas online, tratar dos menus, do maçons, dos jantares de grupos, do pequeno almoço, do inventário, e depois ainda vir para a cozinha fazer um turno de oito horas. Todas as noites. Sozinha.

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Hotel Kramer- a minha segunda casa. Foto do site do hotel

A minha colega tem 3 filhos, não quer trabalhar de noite, epá temos pena, chegamos agora ao cúmulo de eu ser discriminada por não ter procriado.

Disse-me o HC para não me preocupar que ia alterar o horário, que tinha um plano.

Eu continuei semanas sem ver o meu viking acordado, com tempo para pouco mais do que trabalhar e dormir.

No fim de Dezembro fui finalmente chamada para um reunião com o HC e a directora do hotel.

Mudo de funções. Mantenho o título, mantenho o salário mas volto para o Kramer, vou ser responsável pela organização e controlo da qualidade dos pequeno almoço dos dois hotéis.

Para o kramer há um plano maior, transformar este hotel num hotel escola na cadeia Scandic, onde usamos produtos locais e preparados por nós.

Hotel d Angleterre em Copenhaga, pronto para a minha espionagem industrial ;) (foto do site do hotel)
Hotel d Angleterre em Copenhaga, pronto para a minha espionagem industrial 😉 (foto do site do hotel)

Eu admito que quando soube destas mudanças fiquei um pouco chocada, até porque modéstia à parte tinha feito um excelente trabalho no ST que teve o maior crescimento de lucro na parte de comida de todos os hotéis do sul da Suécia desde que eu me tornei responsável.

Mas compreendo que este novo desafio é ideal para mim  e estou feliz por mais um vez os meus patrões me chamarem quando há uma secção que precisa de ser renovada.

O meu horário seria apenas de segunda a sexta-feira, começar cedo acabar depois da hora de almoço. Eu aceitei na condição de poder trabalhar algumas noites e fins de semanas como todos os  chefs. Noa quero privilégios, não sou melhor do que os meus rapazes.

O HC teve entretanto uma nova reunião comigo, as minhas instruções são: “faz uma lista de tudo o que queres mudar, vai com o teu marido tomar o pequeno almoço a outros scandics, vem comer aos nossos hotéis como cliente, sem ires à cozinha” (desta parte não gosto muito porque estou um pouco a espirar o trabalho dos meus colegas, mas compreendo que temos de saber de onde crescem as reclamações dos nossos clientes e  como posso resolver estes problemas)

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Testes para o lanche

 

Ainda em busca de inspiração, vou também com o viking ao Hotel d´Angleterre em Copenhaga. O meu ex HC trabalhou lá e sei que o pequeno almoço do hotel é legendário! “Manda a conta para o Scandic, vais em trabalho” –  ui que tarefa tao difícil!

Depois do pequeno-almoço, parte dois do plano, é organizar a comida das conferências, sobremesas, e…algo com que eu sonho desde que Tom trabalhava connosco, criar um afternnon tea no Kramer.

mais ideias para os lanches durante um curso Scandic o mês passado.
mais ideias para os lanches durante um curso Scandic o mês passado.

A par disto, como vos disse, trabalharei a meu pedido umas noites no a la carte. Fazer um serviço é como treinar para uma competição, deixar de praticar é perder rapidez e eficiência.

Trabalhei esta sexta-feira, a minha última sexta-feira no Stortorget.

Entretanto o Nicklas está doente, exausto, três semanas em casa. Eu estou também exausta, já estava em Setembro, mas estes últimos meses têm sido muito difíceis. Estou a contar os dias desde Janeiro para poder voltar ao Kramer, para voltar a jantar com o meu viking, ou dar um passeio depois do trabalho.

Amanhã faço com o novo sous chef do Stortorget o inventário. Eu pensava que seria o meu último, mas não é. O HC e eu vamos continuar a ser responsáveis pelos inventários dos dois hotéis.

Terça feira estou livre, vou a Gotemburgo, e convido-vos já a acompanhar-nos via instagram da Anasbageri.

E pronto aqui estao as minhas novidades. Tenho posts com receitas e mais historietas prontos para publicar, mas queria antes partilhar convosco esta mudança na minha carreira.

Obrigada por lerem, bem sei que é um post longo J

Um abraço e bom domingo!

Por aí

As nossas férias IV – Chamonix – frio, neve e o abismo

Leiam as anteriores partes da nossa aventura deste verão:

Parte I

Parte II

Parte III

Acho que nunca publiquei um post com tantas fotografias!

Acordámos quarta-feira, no quinto dia da nossa viagem, já em Chamonix. Como o meu mano vinha dormir connosco na noite antes da prova, tínhamos-lhe marcado um quarto ao lado do nosso, e escolhemos um hotel com piscina e  sauna para ele poder relaxar.

O nosso hotel.- fotografias do site.
O nosso hotel.- fotografias do site.

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Para este dia tínhamos escolhido subir à Aiguille du Midi, e o Step into the Void.

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 A Aiguille du Midi é o pico que fica situado a 3842 metros de altitude no  massivo do Mont Blanc dos Alpes franceses, é o mais próximo que nos podemos aproximar do do pico do Mont Blanc se não formos alpinistas.

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A subida é feita do centro de Chamonix em gondolas. È uma subida um pouco assustadora porque vamos literalmente pendurados por cabos a balançar no ar.

 

Para as crianças é especialmente difícil,  por isso não levem os vossos minis se lá forem.

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A vista depois da tormenta da subida é realmente do outro mundo, mesmo para mim que detesto neve.

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Da Aiguille du Midi temos também acesso ao “Step into the Void”, com o qual o meu Viking estava a sonhar desde começamos a planear esta viagem.

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O“Step into the Void”  é um espaço com paredes e chão de vidro a uma altitude de 3842 metros. Por baixo do chão de vidro estão 1000 metros de abismo.

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Eu admito que estava tão  gelada que talvez não tenha apreciado esta manhã  nos Alpes tao bem como se estivesse bem agasalhada. Valeu-nos a cafeteria onde ainda bebemos um café com leite antes da viagem de volta a Chamonix, onde estava  calor e imenso Sol.

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Este era o dia antes da prova do Pedro e ele passou-o nos seus preparativos, nós depois de almoço e de um passeio por Chamonix fomos às compras ao Carrefour.

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Chamonix – Agosto 2015 – 1 dia antes do TDS

 

Eu pronta para alimentar  o meu Viking e possivelmente o mano durante a sua prova comprei tudo desde chocolate para fazer chocolate quente, café, pão, fruta, nutella, doces, até sopas daqueles que se fazem na caneca.

Comprei até termos!

Fomos buscar o meu mano e regressámos ao  hotel para jantar e forçar o meu mano a descansar um pouco antes da prova.

Recolhemos aos quartos quase às dez da noite, o Pedro jantou frango com massa, sem molho, sem legumes, sem sobremesa. Eu para dar apoio moral comi apenas saladas. O viking comeu tudo a que tinha direito. Tinha de se alimentar porque ia passar as próximas trinta horas fechado comigo no carro Alpes acima Alpes abaixo.

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“Pedro, tens de descansar….despacha-te!”

No seu quarto o Pedro  fez connosco a sua mochila de apoio que nós íamos levar no carro, deu-nos os dorsais  de acompanhante, e preparou-se para o dia seguinte. (A preparação. desde colar a “tatuagem” com o percurso no braço, a fechar-se com a barbeadora na casa-de-banho e sair com menos pelos no corpo do que eu, a embrulhar-se numa fita adesiva, penso que para ajudar a suportar os músculos, demora horas e eu vou-vos poupar aos detalhes, e à carga de nervos que apanhei a ver o tempo que ele ia descansar a passar….)

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Eu voltei ao meu quarto à uma da manha, o Viking já a dormir.

O TDS a prova que o Pedro correu, começa cedo em Courmayeur em Itália e nós tentámos todos descansar tanto quanto possível, a grande aventura estava a aproximar-se.

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Megas, gigantes e minis…. e uma bolacha para partilhar

Penso que foi há mais de dez anos que vi pela primeira vez, num blogue que se chamava qualquer coisa como Pimp my snack or Pimp that snack, um mars  gigante.

Gigante!

Mais recentemente surgiu também a loucura da mini comida, uma pizza do tamanho de um dedal, um prato de fish and chips não maior do que uma moeda.

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Imagino que no fundo todos temos em nós ainda uma crianças que quer brincar aos gigantes e comer um bolo inteirinho só com uma dentada, e um gigante  que quer ser criança, segurar numa bolacha com duas mãos e fazer este tesouro durar horas.

A receita de hoje é uma bolacha gigante inspirada na oreo  red velvet criada para o dia dos namorados.

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Admito que acho imensa graça a esta forma de brincar com  a comida, e não falo aqui claro das bebidas e comida americanas, dos copos de coca cola de dois litros ou dos hamburgers com cinco quilos de carne.

Para vos ser sincera, acho até esta cultura de ter concursos em restaurantes onde somos desafiados a comer vinte litros de gelado em meia hora assustadores e desrespeitosos.

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É um incitar ao comer demasiado, ao enfardar em vez de nos alimentarmos e apreciar os sabores do que comemos, é um desperdício, um atentado a quem nada tem para comer, aos animais que morreram em vão, e em última análise ao nosso  planeta. Tao triste é por vezes este mundo da abundância e do excesso em que vivemos.

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A minha mega bolacha cabe nos nossos fornos, e serve duas a quatro pessoas. “Então o que é a sobremesa? “tenho ali uma bolacha…”

Adaptado do canal bigger bolder baking onde podem ver mais versões desta  bolacha e a receita original.

 

Super bolacha Oreo do dia dos namorados

Ingredientes: (1 bolacha dupla que cabe num prato de sobremesa.

Bolacha:

  • 100 g de farinha de trigo
  • 90g de açúcar
  • 70 g de manteiga
  • 2 colheres de sopa de cacau
  • 1 colher de chá de canela moída
  • 1 colher de chá de extracto de baunilha
  • 2 colheres de sopa de leite
  • corante alimentar vermelho

 

Recheio:

  • 1 dl de natas
  • 1 dl de queijo creme
  • 1 colher de sopa de icing sugar
  • 1 colher de café de baunilha (uso vagem de baunilha moída)

 

 

Preparação:

Aqueçam o forno a 180°C

Forrem um tabuleiro de forno com um tapete de silicone ou papel vegetal.

Misturem rapidamente todos os ingredientes para as bolachas, podem até usar um processador de alimentos. Lembrem-se é que este tipo de massas não deve ser amassado para não desenvolver o glúten da farinha.

Enrolem a massa em pelicula aderente e coloquem-na no congelador 15 minutos.

Dividam a massa em duas bolas, coloquem-nos no tabuleiro bem afastadas e espalmem-nas um pouco. (a massa vai baixar e espalhar-se mais durante a cozedura)

Levem o tabuleiro ao forno durante aproximadamente 15 minutos. (o centro da bolacha deve estar ainda molinho)

Deixem as bolachas arrefecer e, entretanto, preparem o recheio.

Batam as natas com o icing suagr e a baunilha em chantilly. Acrescentem o queijo e batam rapidamente. Atenção que se o queijo for baixo em gordura vão perder volume  e quanto mais baterem mais liquido fica o creme.

Recheiem a super bolacha, salpiquem com icing sugar e surpreendam alguém que mereça um presente especial.

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Crianças, aniversários e a nossa sobremesa extra extra especial

Não sei se  já vos contei mas o viking tem um irmão ainda uns anos mais velho com dois filhos já grandes e um neto.

O neto nasceu o ano passado no dia dos namorados. Isto quer dizer nesta família uma coisa, daqui para a frente, todos os anos dia 14 de Fevereiro, temos festa.

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O viking e eu não temos filhos humanos e não percebemos nada de crianças, só para escolher a prenda para o Mateus tivemos de telefonar duas vezes ao meu cunhado e acabámos por comprar uma bateria para crianças de 5 anos.

Eu admito que tenho pouca, pouquíssima ou nenhuma paciência para festas de família a meio da tarde com meninos a correr e sem acesso a bebidas alcoólicas.

Para me animar o viking trouxe-me o pequeno almoço à cama, lemos um bocadinho, arranjámo-nos e lá nos metemos no carro a caminho da casa do nosso sobrinho.

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À chegada encontrámos a minha sogra que nos disse já ter estado em casa do Jesper muitas vezes e que sabia exactamente em que rua e prédio era. Havia na porta do prédio um cartaz a avisar, “se vieram à minha festa de anos, subam ao segundo andar”

E o viking, “não pode ser aqui, os nomes da Sandra e do Jesper não estão na porta!”

E a sogra: “É aqui, é aqui, eu já cá estive.”

E eu, geladinha:” não me interessa se é esta a morada ou não,  há uma festa de anos, fico já aqui.”

Estávamos na rua errada.

O viking à frente a carregar com a bateria, eu atrás a carregar com a minha sogra que magoou as ancas e vai ser operada.

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Chegámos finalmente a casa do Jesper.

Enquanto tirávamos os sapatos e casacos, veio ao corredor ter connosco um menino todo bem disposto  a quem eu imediatamente me atirei a dizer que estava um homenzinho, todo grande e giro, e parabéns.

E diz-me o meu sobrinho. “Esse não é o Mateus, é um amigo dele, o Mateus só tem um ano ainda não anda….”

Bebemos café, havia bolos, mas eu ainda não tinha sequer almoçado, e tanto o viking como eu passámos as horas que lá estivemos em pânico não fosse pisarmos uma criança…. (andam por todo o lado no chão!!! Com aquelas mãozinhas tao pequenas…. a gatinhar….)

No regresso a casa ainda passámos pelo supermercado para comprar vieras, o viking vez o jantar, e eu tinha já preparado esta sobremesa na véspera.

Foi uma noite calma, em casa com os nossos meninos. Um dia dos namorados igual a todos os outros dias nas nossas vidas, sou uma sortuda.

Uma mousse fresca e leve que esconde um centro liquido e intenso de framboesas, haverá melhor para o dia dos namorados?

Esta sobremesa tem 3 componentes mas é incrivelmente fácil de fazer. Se não gostam de zimbro, podem usar por exemplo baunilha. Eu tenho uma máquina para fazer algodão doce, mas podem também substituir este elemento por frutos vermelhos, um decorar com uma bolachinha.

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Mousse de zimbro e framboesas nas nuvens

 

Ingredientes: (4 porções)

Mousse

1 dl de natas

80 g de açúcar

1 dl de creme fraiche

1 dl de leite

10 bagas de zimbro

1 folha de gelatina

Coulis:

200 g de framboesas congeladas

60 g de açúcar

 

Para decorar:

Algodão doce

Corações

Framboesas secas em pó

 

Preparação:

Começamos com o centro de framboesa.

Levem as framboesas e açúcar ao lume. Deixem reduzir. Passem por um passador de rede fina e  levem o preparado ao congelador em mini forminhas, pode ser por exemplo em formas para gelo.

A mousse:

Esmaguem as sementes de zimbro, levem-nas ao lume num tachinho seco. Demolhem a folha de gelatina em água fria.

Quando começarem a sentir o cheiro a zimbro, adicionem o leite, o açúcar e o creme fraiche, misturem bem.

Acrescentem a folha de gelatina, mexam até dissolver. Passem a mistura por um passador e levem ao frigorifico até solidificar.

Adicionem  ao preparado as natas e batam tudo  até obterem uma mousse muito leve.

Coloquem a mousse em formas de silicone, ou por exemplo copinhos de iogurte em plástico, escondam em cada uma um centro gelado de framboesas.

Levem ao congelador o tempo necessário para poderem facilmente desenformar a mousse. Guardem no frigorífico até servir.

Decorem com corações, algodão doce ou frutos vermelhos.