A minha vida na Suécia · pão, sourdough · refeições rápidas · vegetais e outros acompanhamentos

Um passeio em Torup com merendinha a condizer

Ao contrário da grande maioria dos portugueses, e na qual eu me incluía, os suecos adoram a vida ao ar livre. De Verão ou Inverno, como sol, neve ou gelo, um sueco feliz é um sueco a fazer caminhadas, andar de bicicleta, ou levar a caravana para junto do mar e passar aí o fim-de-semana a apanhar sol, passear e grelhar salsichas. Tanto amor pela natureza  e pelo exercício físico, provem não só do conceito de Allemansrätten do qual vos falarei brevemente, como da forma como os suecos respeitam e cuidam do seu corpo. Não deve haver povo mais guloso que o sueco, mas muitíssimo raramente vejo alguém com sérios problemas de peso. Parece que por aqui se encontrou o balanço perfeito entre bolos, natas e manteiga “light” com 42% de gordura, e a boa forma física.

E para grande espanto meu, eu que adoro viver no centro da cidade e tenho um teclado colado à ponta dos dedos, rendi-me também ao encanto da natureza na Suécia. Passo o Inverno a sonhar com passeios pelos bosques, e mal se dá o degelo, começam as nossas caminhadas. Este ano, e por causa de pequeno problema de saúde, os trilhos de hiking vão ficar para um pouco mais tarde, mas não resistimos a fazer a primeira visita a Torup para testemunhar este período em  que a natureza volta a acordar e vai prometendo meses de luz e sol.

Ainda que com nuvens e uma temperatura de cinco graus, o parque respirava já o ambiente da época que se aproxima, famílias em passeio, amigos a fazer caminhadas, gente de todas as idades, e até um enorme grupo de turista de máquinas fotográficas em punho. É claro que tanta actividade requer também mantimentos! Desta vez na nossa mochila, para além de água e fruta, levámos também estes queques de legumes que tinha feito há umas semanas e congelado.

São bastante leves e deliciosos. Usei puré de batatas-doces assadas  com alecrim e alho, mas podem cozer simplesmente as batatas ou até substituí-las por puré de cenoura os abóbora. Como podem ver ficaram um pouco frágeis e é melhor que os transportem numa caixinha para não se amachucarem muito. A consistência do puré é importante, se acharem que está muito líquido, acrescentem mais um pouco de farinha.

Ingredientes (6 queques)

  • 1 ovo
  • 1 dl de iogurte natural
  •  150  gramas de farinha de trigo
  • 1 colher de chá rasa de fermento em pó
  • 125 gramas de puré de batata doce
  • 3  colheres de sopa de azeite
  • 3 colheres de sopa de queijo feta em pedacinho pequenos
  • 3 colheres de sopa de pimentos picados (crus)
  • 4 colheres de sopa de cenouras raladas (cruas)
  • Sal, pimenta e alecrim fresco finamente picado.

Preparação:

Numa tigela batam o ovo com o iogurte, o puré de batata-doce e o azeite. Acrescentem  todos os restantes ingredientes, misturando bem mas sem bater.

Deitem o preparado em formas para queques (não se esqueçam de as untar se não estão a usar formas de silicone) e levem-nas ao forno pré-aquecido a 200ºC, durante aproximadamente 25 minutos.

A marmita do viking · Carne

Na marmita esta semana – Kassler com legumes assados

Um dos problemas que noto quando preparo marmitas para o viking, é que na maior parte das vezes a carne depois de cozinhada, congelada e aquecida, fica seca e com um aspecto pouco agradável. Evito portanto carne como bifes, bifanas ou carne assada. Em vez disso faço imensos estufados  e uso peças como fiambre e kassler. A vantagem dos últimos é que já se compram pré-cozinhados e têm uma camadinha de gordura que ajuda a carne a continuar suculenta.

 

 O kassler é uma peça de lombo de porco tradicional na Alemanha e muito comum também na Suécia e na Dinamarca. A carne é ligeiramente salgada e fumada, o sabor e aspecto é mais semelhante a fiambre do que enchidos como paio. (Pelo que me lembro do sabor do paio 🙂 ) Em Portugal  não sei se o conseguirão encontrar, mas podem usar porque não, uma peça de fiambre. Parece-me que comer fiambre sem ser em sandes, não é muito comum em Portugal, estarei errada?

 

Para este tipo de marmitas podem variar as ervas aromáticas que usam na carne e os legumes.   Habitualmente evito usar batatas porque não gosto do seu sabor e textura depois de congeladas, opto nabo sueco ou outro tipo de root vegetables de Inverno, no Verão escolho combinações mais leves.

Para 4 marmitas tamanho viking usei:

Ingredientes:

  • 1 nabo sueco  – descascado e partido em cubos grandes
  • 2 pimentos
  • 2 bolbos de funcho
  • 1 peça de kassler ou fiambre
  • Azeite
  • Sal e pimenta
  • Pimentão doce em pó
  • Tominho seco (já fiz também com alecrim e foi bem recebido pelo meat eater)

Preparação:

Se estão a usar root vegetables (tubérculos?), comecem por lhes dar uma pré cozedura em água com sal. O tempo que este prato demora no forno não é suficiente para que fiquem tenros.

Aqueçam o forno a 150ºC

Massagem a peça de carne (massagem soa-me tão mal, mas esfreguem ainda é pior…) com as ervas secas e o pimentão.

Num tabuleiro coloquem o funcho e os pimentos. (se os pedaços de funcho forem maiores, coloco funcho e passados 10 minutos os pimentos.) Temperem com sal e pimenta, um fio de azeite e levem ao forno até estarem quase completamente cozinhados.

Quando o nabo estiver tenro, (mas sem de desfazer), escorram-no e acrescentem-no aos outros legumes. Salpiquem-nos com as ervas secas e agitem o tabuleiro. No centro coloquem a carne. Levem ao forno até a carne estar douradinha e os legumes cozinhados. Quer usem fiambre quer encontrem kassler, não se esqueçam de que estas carnes já estão preparadas, e portanto só vão ao forno para ganhar um pouco de gosto e cor, não precisam de estar preocupados com tempo ou temperatura da carne.