Conte-me a sua receita – Tarte de amêndoa da Farmor

Se esta é a vossa primeira visita à Anasbageri, leiam por favor o Sobre Mim.
Com este post participo no desafio conte-me a sua Receita, promovido pela Rádio Televisão Portuguesa em colaboração com o  Cinco Quartos de Laranja,    e que  tem como tema as receitas dos anos 60 e 70.
 
 
 
 
 

A língua sueca, ainda que não tão rica como o português, tem, tal como outras línguas escandinavas, uma enorme diversidade de palavras relativas ao campo lexical da “família”. Se em português podemos escolher entre as opções “tio” e “tia” em sueco são-nos apresentadas as seguintes variantes: Farbror – irmão do pai; Faster – irmã do pai; Moster – irmã da mãe; Morbror – irmão da mãe. O mesmo se repete com todas as relações familiares, mormor e morfar são os avós maternos, farmor e farfar os paternos.

A minha irmã e eu no quintal da Farmor

A minha farmor herdou da sua mãe, cozinheira num hotel em Lisboa, a mão para a cozinha. Não a visitávamos assiduamente, e talvez por isso os almoços em casa dela e do farfar, eram para eles, motivo para muitas horas de preparação e esmero.

Comíamos na casa de jantar, usando os copos e pratos do serviço. Ao chegarmos éramos invariavelmente recebidos pelo cheiro de frango assado no forno com limão e batatas fritas pála-pála caseiras. A farmor, que se tinha levantado às seis da manhã e passado horas agarrada ao mandolim, estava sempre “nas estopinhas” e corria connosco da cozinha para a sala ou o quintal enquanto ela acabava o almoço.

O farfar preparava entretanto a bebida das crianças, capilé. Quando nos sentávamos à mesa podíamos ver, já no aparador entre as peças de loiça Bordalo Pinheiro, a sobremesa, Tarte de amêndoa.

 O sabor desta tarte, comida nos pratinhos de cerimónia da minha avó, enquanto os meus pais bebiam café feito numa máquina complicada e eléctrica com uma torneirinha que me fascinava tanto quanto os pratos com quadrinhas populares que enfeitavam as paredes da casa de jantar, é um dos quadros de plena felicidade que guardo da minha infância. Por isso, por receio de  poder   manchar estas imagens que me acompanham há trinta anos, muito raramente faço esta tarte, mas nesta ocasião em que celebramos as memórias mais saborosas da nossa vida, não quis de deixar de a partilhar convosco..

Ingredientes: (para uma forma de tarte ou 6 forminhas individuais)

Para a tarte:

  • 120 gramas de farinha
  • 100 gramas de açúcar
  • 150 gramas de manteiga
  •  ½ dl de leite
  • 2 ovos
  • 1 colher de chá de fermento em pó

Para a cobertura:

  • 75 gramas de manteiga
  • 90 gramas de açúcar
  • 2 colheres de sopa cheias de farinha
  • 2 colheres de sopa de leite
  •  150 gramas de amêndoas grosseiramente picadas.

Preparação:

 Começamos com a massa:

Aqueçam o forno a 175ºC. Barrem as formas.

Batam o açúcar com a manteiga amolecida, adicionem os ovos e continuem a bater até obterem um creme leve e fofo. Incorporem, sem bater, a farinha misturada com o fermento e o leite. Deitem a mistura na forma/as e levem ao forno. Passados dez minutos comecem a preparar a cobertura.

Cobertura:

Misturem todos os ingredientes num tachinho e cozinhem, mexendo sempre, em lume médio até a mistura engrossar e começar a despegar do tacho.

Desliguem o lume e reservem.

Retirem a tarte do forno e cubram-na com a mistura que acabaram de preparar.

Coloquem-na de novo no forno até a cobertura estar douradinha e a tarte completamente cozida, o que demora aproximadamente mais 25 minutos.

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12 comments

  1. Ana,
    gostei imenso do teu texto, das tuas memórias e como referes, dos quadros plenos de felicidade que guardas da tua infância.
    A foto no quintal da farmor é mesmo muito especial.
    Parabéns pela escolha da receita.
    Muito obrigada.
    Um beijinho.

  2. Caríssima
    Fico super feliz quando alguém me diz que nao come carne! Fazem uns 8 anos que sou vegetariana e vejo que possamos viver muito bem sem carne, pois temos tudo que precisamos na natureza!
    Que bela participação a tua! Belas memórias e vi que cozinhar bem vem familia!
    Adorei as tartes.
    Um abraço
    Léia

  3. Ana,

    Gostei do teu retrato de infância. Uma das coisas de que mais tenho gostado neste encontro de histórias pessoais é a coincidência de algumas memórias: o jardim do Campo Grande (sim, creio que havia uma ponte), os domingos em família, o capilé…

    obrigada pela visita!

    beijos

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